Título: PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E OS IMPACTOS SOCIAIS E ECONÔMICOS DAS
ATUAIS TENDÊNCIAS DEMOGRÁFICAS
Autor: Vivaldo
José Breternitz
Instituición: Universidade
Presbiteriana Mackenzie, Professor, Rua da Consolação, 930 - Cep 01302-907 - São Paulo - SP – Brasil, fone 55 11 4607
3616, vjbreternitz@mackenzie.com.br
Tipo de Presentación: Exposición
Area temática: Planeamiento Estratégico
Empresarial, Urbano, Regional y Nacional
Idioma en que se realizará la
exposición: Português
Equipos de apoyo requeridos:
microcomputador com PowerPoint e
datashow.
Abstract
A correta interpretação das tendências demográficas é
fundamental para a qualidade do planejamento estratégico. O objetivo deste
trabalho é apresentar nossa visão a respeito dos impactos sociais e econômicos
das atuais tendências, em especial nas regiões
que possam influenciar os
países latino-americanos.
O texto aborda as
tendências de maneira global e discute o crescimento populacional explosivo
esperado para os países menos desenvolvidos e suas conseqüências,
ressalvando-se porém o fato de poder-se olhar para esses países sob o ângulo das oportunidades geradas pelos imensos
investimentos que neles se farão necessários.
O
trabalho concentra-se nas situações
opostas, discutindo os problemas que devem ser enfrentados pelos países que sofrerão declínio em suas populações, além do envelhecimento
das mesmas. Nestes casos, avalia os segmentos da economia que deverão ser
prejudicados e aqueles provavelmente a serem beneficiados, bem como as medidas
que provavelmente serão tomadas pelos governos envolvidos com o objetivo de
minimizar os problemas esperados.
Palabras Clave: demografía,
aposentadorias, envelhecimento, população, planejamento, estratégico.
PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E OS IMPACTOS
SOCIAIS E ECONÔMICOS DAS ATUAIS TENDÊNCIAS DEMOGRÁFICAS
A correta interpretação das tendências demográficas é fundamental para
a qualidade do planejamento estratégico em todos os níveis. O objetivo deste
trabalho é apresentar nossas preocupações acerca dos impactos sociais e
econômicos das atuais tendências, em especial daquelas que podem mais
fortemente influenciar os países latino-americanos; obviamente há impactos
sobre outras áreas, em especial sobre o meio ambiente, que, no entanto, não serão
objeto de aprofundamento neste texto.
Diversos órgãos da ONU (Organização das Nações Unidas) vêm produzindo
dados a respeito do assunto, sendo essas as principais fontes que utilizamos e
relacionamos nas referências bibliográficas; quando os dados forem provenientes
de outras fontes, estas serão mencionadas expressamente.
Em 1950, o mundo tinha 2,5 bilhões de habitantes (GASPARI, 2002). A ONU
prevê que a população mundial, atualmente cerca de 6,1 bilhões, estará ao redor
de 8,9 bilhões em 2050 e cerca de 10,5 bilhões em 2100. Esse crescimento estará
concentrado em oito países: Índia, Paquistão, China, Nigéria, Congo,
Bangladesh, Eritréia e Indonésia, com a Índia superando a China em número de
habitantes ao redor de 2025 e atingindo em 2050 1,5 bilhão de habitantes, tornando-se pais o mais povoado. Cabe lembrar que as
previsões da ONU nessa área têm sido acuradas: em 1958 a organização previa que
no ano de 2000, quando atingimos 6 bilhões, a população estaria em 6,3 bilhões
– um erro muito pequeno para fins de planejamento estratégico.
Essas informações já nos permitem vislumbrar alguns problemas
decorrentes do crescimento desequilibrado: metade da população mundial vive
nesses países, que ocupam 13% da superfície da terra. Os 48 países considerados
pela ONU como “menos desenvolvidos”, terão sua população triplicada até 2050,
com alguns deles, como Congo,
Burkina Faso, Angola, Uganda, Somália, Nigéria e Libéria crescendo mais de 300%
- a maior taxa de crescimento é esperada para o Iêmen (450%). A nossa América Latina deve saltar dos
atuais 519 para 806 milhões em 2050 (o Brasil, de 170 para 244 milhões, contra
52 milhões em 1950 – MOREIRA, 2000).
Esse
crescimento, segundo o “World Population Prospects - The 2002
Revision”, editado pela Divisão de
População da ONU em fevereiro de 2003, só
não será maior em função do aumento das taxas de mortalidade em razão da Aids;
esse documento prevê que até 2010 a epidemia manterá a dinâmica ora observada,
acreditando-se em reversão a partir daquele ano.
Estes países
menos desenvolvidos, em especial os da África, são uma bomba relógio: o padrão
de vida será o mais baixo, o analfabetismo o mais alto, a infra-estrutura a
mais carente, os governos os menos estáveis; os conflitos étnicos permanecerão
sacrificando os mais pobres. Carência de água e de comida, doenças e degradação
ambiental gerarão cada vez mais problemas. Pode-se porém olhar para esses
países sob outro ângulo, o das oportunidades geradas pelos imensos
investimentos que ali se farão necessários.
Mas há situações
opostas: até 2050, alguns países da Europa
devem sofrer declínio acentuado em sua população (a menos que fortes
movimentos migratórios alterem essa tendência): a Bulgária deve perder 43% de
sua população, Ucrânia 40%, Rússia 28%, Itália e Hungria 25%, Espanha, Suíça e
Áustria 20%, etc. – o decréscimo em
toda a Europa deve estar ao redor de 10%, apenas com alguns países como
França e Noruega apresentando pequeno
crescimento. Dentre as demais grandes economias, o Japão e a Alemanha devem perder
cerca de 14% ao passo que os Estados Unidos devem crescer cerca de 40%.
Mas os
desequilíbrios acima mencionados não são os únicos problemas demográficos com
que nos defrontamos. Melhores cuidados médico-sanitários e de alimentação
elevarão a expectativa de vida no nascimento para cerca de 70 anos nos países
mais pobres e para 83 nos mais ricos (a maior estará no Japão, com 88 anos). Na
América Latina e Brasil, respectivamente, deveremos saltar de 70 para 78 e de
67 para 77; em 1950, a expectativa de vida no Brasil era de 46 anos (GASPARI,
2002). Ainda no Brasil, a população de 65 anos de idade ou mais, que era
composta de 7,7 milhões de pessoas em 1995, compreendendo menos de 5% do total
da população, chegará a 2050 a mais de 38 milhões de pessoas, perfazendo nada
menos do que 18,4% da população (MOREIRA, 2000). Esse fenômeno já está ocorrendo: dois terços das
pessoas que atingiram 65 anos, em toda a história da humanidade, estão vivas
hoje!
A queda nas
taxas de natalidade a níveis que não permitirão a reposição da população na
maioria dos países da Europa e Japão torna o cenário mais complexo. Estima-se
que para a manutenção da população seja necessária uma taxa de natalidade de
2,1 filhos por mulher; nos últimos anos
têm se registrado taxas que oscilam de 1,2 na Itália e na Espanha a 1,9 na
Irlanda, além de 1,4 no Japão; . Estes números, embora de maneira menos
drástica, tendem a se reproduzir em outros paises ocidentais: 2 nos Estados
Unidos, 2,7 na América Latina e 2,3 no Brasil.
Para os países
com tendência a decréscimo na população, vislumbram-se dois caminhos: aumento
nas taxas de natalidade, atualmente difícil de ser obtido por razões como busca
da independência econômica pelas mulheres, necessidade de altos investimentos
em estruturas de suporte à mulher e às crianças, etc. O segundo caminho é o do
incentivo às migrações, que esbarra em questões políticas, de preconceitos, de
qualificação dos possíveis imigrantes, etc. Além disso, a massa de imigrantes
requerida para simples manutenção dos níveis atuais de população nesses países,
cerca de 700 milhões até 2050 apenas para os atuais
componentes da União Européia, transformaria os nativos em minorias
dentro de seus próprios países, tornando
as migrações ainda mais difíceis de serem concretizadas – como exemplo
pode-se dizer que hoje cerca de 10% da população alemã é constituída por
estrangeiros, o que ajuda a explicar atitudes xenófobas. De qualquer forma, como nesse campo as
respostas são muito lentas, acreditamos que os países afetados por esse tipo de
problema precisam começar a planejar (e agir) rapidamente antes que a situação
se agrave.
O aumento da
expectativa de vida gera também sensível envelhecimento da população
como um todo. Atualmente, o país com a mais alta média de idade é o Japão (41
anos), seguido pela Itália (40). Em 2050, a maior média será a da Espanha, com
55 anos, seguida pela Itália (54) e Japão (53).
O envelhecimento
da população traz à baila outro problema sério, o das aposentadorias. Quase
todos os planos de hoje se baseiam na premissa de que a contribuição da força
de trabalho atual sustentará a aposentadoria dos idosos. No Brasil, já vivemos um problema sério
nessa área, problema que se manifesta também em inúmeros outros países, como
veremos a seguir, considerando em idade de aposentadoria as pessoas com 60 ou
mais anos de idade e em idade de trabalho as entre 15 e 59 anos, conforme
critérios adotados pela ONU.
É inevitável que
a idade para aposentadoria precise ser elevada e os benefícios reduzidos, com
todas as implicações relacionadas a essa elevação: desemprego, trabalho
informal, educação continuada, garantia de emprego, etc. Na Europa, para cada
100 pessoas em idade de trabalho, há 35 em idade de aposentadoria; em 2050,
esse número mais que dobrará, devendo ir a 75, com o pico no país “mais velho”,
a Espanha, onde se espera uma relação de quase 100 para 100. No Japão, a
relação irá de 37 para 94 e nos Estados Unidos de 26 para 49. Na América
Latina, sairemos de 13 para 39 e no Brasil, de 12 para 42. Considerando-se que
na Alemanha de 1980 cada aposentados
tinha 20 trabalhadores para sustentá-lo, pode-se perceber como o cenário vem se
deteriorando rapidamente.
O trabalho informal ou em tempo parcial tende a agravar o problema,
pois estes trabalhadores contribuem menos que o ocupante de um posto de
trabalho convencional. Mudança nos sistemas de capitalização, aumento das
contribuições, melhoria dos processos de administração e outras medidas
similares podem minorar o problema, mas não resolve-lo. Na sociedades que estão
envelhecendo, a tendência deve ser a
redução dos benefícios a um nível básico, cabendo aos indivíduos
proverem a acumulação de valores como forma de garantir aposentadorias acima
desse nível básico, abrindo espaço para empreendimentos nessa área. Raciocínio
análogo pode ser aplicado à área de saúde.
Em termos de
mercado de trabalho, há desafios a serem enfrentados: trabalhadores mais velhos
tendem a se tornar menos produtivos, como regra geral. Isso ocorre por
receberem menos treinamento (há relutância dos empregadores em investir nesses
profissionais) e por ser a experiência acumulada menos relevante numa situação
em que a tecnologia muda rapidamente. Fatores de natureza física e psicológica
decorrentes do envelhecimento também podem contribuir para essa queda.
O
desenvolvimento da capacidade de inovação é e será crucial. Usualmente
profissionais jovens tem um papel determinante na criação e difusão de novos
conhecimentos, graças à sua predisposição para a aceitação de riscos, maior
mobilidade (aceitação de transferências), educação e treinamento atualizados,
etc. A falta desses profissionais será um problema sério. REYNOLDS (2000) demonstra como o número de
“start-ups” (empresas criadas por empreendedores) tem correlação com o
crescimento econômico, e que esses empreendedores concentram-se na faixa etária
compreendida entre os 25 e 44 anos. KELLAWAY (2002), referindo-se ao Estados
Unidos, diz que existem 45 milhões de pessoas com idade entre 35 e 44 anos, e
apenas 37 milhões entre 25 e 34, ou seja: o potencial de inovação, ao menos no
que se refere aos aspectos quantitativos, tende a cair.
Outra alteração
importante será no perfil de demanda.
Diferentes faixas etárias têm diferentes necessidades, gostos, etc;
dessa forma, algumas indústrias serão beneficiadas e outras prejudicadas. A
queda de população trará efeitos negativos a praticamente todos os setores.
De maneira
geral, bens e serviços que podem ser comercializados no mercado internacional
são menos afetados por alterações no perfil demográfico doméstico, pois podem
compensar eventuais perdas com exportações; já os que não tem essa
possibilidade, como o setor de transportes terrestres, usualmente são atingidos
de forma mais intensa. Os setores afetados podem também diminuir o impacto
sofrido através de alterações de design, canais de distribuição, marketing,
etc. , adequando-os aos gostos e necessidades de uma população mais idosa. Há
ainda aqueles setores que obviamente sofrerão grandes perdas, como os da área
de construção civil, em face da redução da necessidade de novas casas, embora a
necessidade de adaptação das construções existentes possa diminuir um pouco o
impacto dessas perdas.
Dentre as áreas
que certamente serão beneficiadas está a da saúde. Remédios, hospitais, serviços
de apoio aos idosos, biotecnologia, etc., devem esperar grande crescimento. O
aumento da população idosa deve beneficiar a indústria do lazer, embora devam
ser necessárias alterações no perfil de serviços prestados por essa área, mesmo
com idosos do futuro devendo ser mais ativos que os da atualidade,
principalmente em função da mudança de valores e melhoria das condições de
saúde da população idosa.
Outras
indústrias são relativamente imunes às alterações por terem entre seus usuários
pessoas de todas as faixas etárias, como os serviços financeiros, por exemplo.
Alguns serviços financeiros deverão ser beneficiados pelo envelhecimento da
população, em especial os relativos ao gerenciamento de investimentos
destinados à complementação das aposentadorias pagas pelos governos. Pessoas
aposentadas ou em vias de aposentadoria demandarão informações e gerenciamento
de recursos adequados aos seus projetos e características pessoais e
familiares; novos produtos poderão ser necessários. No Brasil já observamos
quantidade considerável de idosos operando em bolsas de valores via Internet,
utilizando serviços bastante satisfatórios fornecidos por corretoras de
valores; muitos desses investidores dão a essa atividade um certo caráter
lúdico, que até há pouco tempo não havia.
As finanças
públicas também serão afetadas. Segundo a Organisation for Economic
Co-operation and Development - OECD
(2001), entre 40 e 60% das despesas públicas nos países industrializados são
influenciadas por fatores de natureza demográfica, em especial aposentadorias
de funcionários públicos, saúde, escolas públicas, etc. Apesar da pouca
disponibilidade de dados, pode-se afirmar que idosos respondem pela maior parte
dessas despesas, havendo então tendência de crescimento devido ao envelhecimento
da população. Simulações efetuadas pela OECD, considerando nações
industrializadas, mostram que esse crescimento, se mantidas as regras atuais,
podem levar a grandes desequilíbrios orçamentários, com as conseqüências
típicas dessa situação, como aumento de taxas de juros, de impostos, etc.,
gerando grandes problemas a essas economias.
Acreditamos ter ficado claro que há razões para preocupações quanto aos
impactos sociais e econômicos das atuais tendências demográficas. Elas gerarão
uma série de desastres de naturezas diversas se não houver imediata ação, em
especial nas áreas social e econômica, que foram as consideradas neste
trabalho. Esses desastres podem ser minimizados se determinadas ações, quase
sempre impopulares, forem tomadas imediatamente, enquanto a estrutura
populacional ainda permitir essas medidas. As empresas têm mais tempo para
planejar, pois podem alterar o rumo de seus negócios mais facilmente; já os
governos precisam adotar estratégias muito claras, visando principalmente dar
um formato mais favorável ao desenvolvimento populacional.
Dentre essas estratégias, conforme dissemos anteriormente, pode-se
adotar políticas que valorizassem as famílias e as crianças, especialmente nas
economias industriais, procurando tornar mais simples permitir que mulheres
conciliem carreira e filhos.
Contra os imigrantes sempre existiram objeções. A mais freqüente é a de
que eles concorrem com o trabalhador local. Os fenômenos americano, australiano
e canadense desmentem esse mito. Não
será fácil para os europeus entenderem que o imigrante talvez não entre apenas
para tomar um emprego e usufruir um bom hospital. Ele pode gerar riqueza, pagar
impostos, consumir. Talvez essa seja uma mudança de atitude a ser conseguida
urgentemente.
Problemas gerados pela imigração poderiam ser minimizados por programas
de integração dos imigrantes às sociedades que os recebessem e de
esclarecimento às populações nativas acerca das conseqüências do envelhecimento
e redução da população. A participação dos políticos, é fundamental nesse
processo. Talvez os versos
"Dêem-me seus esgotados, seus pobres", de autoria da poetisa americana Emma Lazarus (1849-1887),
gravados na base da Estátua da Liberdade como um hino de misericórdia aos
imigrantes, nunca tenham sido tão atuais
A proteção das áreas sociais, em especial aposentadorias e saúde também
é muito importante. Mudanças estruturais são necessárias: simplesmente aumentar
contribuições ou diminuir benefícios podem minorar os problemas, mas não os
eliminam. Parece ser inevitável uma entrada mais cedo no mercado de trabalho
(obviamente para as economias mais evoluídas) e uma retirada mais tarde.
Medidas destinadas a incentivar a melhor qualificação e a mobilidade dos
trabalhadores serão úteis.
Ainda temos algum tempo até que essas alterações passem efetivamente a
gerar problemas realmente muito sérios. Além do encaminhamento de medidas
destinadas a enfrentar-los, devemos procurar aumentar a conscientização de
nossos políticos, líderes empresariais e outros formadores de opinião. A
conjugação dos estudos sobre os aspectos sociais e econômicos com os impactos
sobre outras áreas, em especial no meio ambiente, devem ser acelerados. Ainda há tempo.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
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A Ditadura Envergonhada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
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caneta tinteiro. Revista Exame-, São Paulo, edição de 25/12/2002.
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Morvan de Mello. 2000. Envelhecimento da população brasileira: aspectos gerais.
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Subsídios para políticas orientadas ao bem-estar do idoso, org. Laura L. Rodríguez Wong. Belo Horizonte: CEDEPLAR/UFMG e ABEP.
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REYNOLDS, Paul D. et al (2000).: Global
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http://www.gemconsortium.org/document.asp?id=139, acessado em 26/12/2002