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Más sobre este recurso: Catalogado en base de datos como: Identidade do Ecuador: Conversa entre parceiros: Agregado: 24 de MAYO de 2000 | Palabras: 2340 | Votar! | Sin Votos | Sin comentarios | Agregar Comentario Categoría: Apuntes y Monografías > Portugués > |
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IDENTIDADE
DO EDUCADOR: CONVERSA ENTRE PARCEIROS
Licenciada em Ciências –
Habilitação Biologia pela Universidade Estadual de Feira de Santana. Licenciada
em Pedagogia pela Universidade Estadual do Estado da Bahia (UNEB) – Campus XI.
Pós graduada em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação, pelo
Departamento de Educação Campus I da UNEB.
Professora de Biologia no
ensino médio, curso de formação geral, do Colégio Estadual Rubem Nogueira, em
Serrinha, Bahia, Brasil.
Trato da identidade do
professor de Ciências Físicas e Biológicas, enquanto educador, parceria e
valores que vivencia em sua prática.
A formação e atuação do
educador se encontra em crise diante dos diversos e novos parâmetros teóricos,
metodológicos, culturais, tecnológicos e diante da diversidade de informações
que ora vivenciamos.
Atuo dentro da escassez de
funcionários nas escolas públicas de nossa cidade, da falta de uma política
séria para a educação e dentro de uma carência de vivência democrática, reflexo
de mais de 20 anos de ditadura, que faz da prática diária dos indivíduos uma
pendência entre o paternalismo e a subserviência. Acredito na identidade como
valores através dos quais estamos no mundo, percebemos e transformamos a realidade,
desde que estes valores e esta identidade nos permitam.
Busco as características e
identidade dos educadores da área de Ciências Físicas e Biológicas (Ciências de
5ª a 8ª, série) e professores de Biologia. Instigo uma
conversa sobre um aspecto do processo complexo que vivemos e atuamos como
profissionais em educação. Proponho um encontro destas identidades.
Leciono no Colégio Estadual
Rubem Nogueira desde 1994, quando foi implantado aí o Curso de Formação Geral
que tem o fim ideal de formar os jovens cidadãos nos conhecimentos gerais não
apenas no aspecto técnico das matérias, mas, principalmente a formação de
valores pertinentes ao legado da democracia, autonomia e cidadania solidária.
Tais valores permitirão a esses estudantes, e a nós professores, a busca da
transformação da realidade pelo bem social.
Sou participante
observadora. Acredito nas entrevista abertas como caminho pertinente para a
realização do diálogo entre parceiros na operacionalização da pesquisa de
estudo de caso.
A princípio refletiremos as idéias fundamentadoras da ação humana no
mundo e a influência desses paradigmas no processo de identificação do
educador.
Sinto falta, e desejo, o encontro e construção participativos de fato
no Colégio Estadual Rubem Nogueira, onde sou professora de Biologia no Curso de
Formação Geral, ensino médio. Quero buscar este começo junto aos docentes de
Ciências da Natureza, também Ciências Humanas no sentido de ciência construída
pela humanidade.
Objetivo situar e qualificar o processo educativo do Colégio Estadual
Rubem Nogueira buscando as características e identidade dos educadores da área
de Ciências Físicas e Biológicas. Para tal foram aplicadas entrevistas abertas e observações
na operacionalização da pesquisa de estudo de caso.
Analiso os dados
coletados através das categorizações: trabalho docente, o processo coletivo; trabalho
docente para a pesquisa; ciência, tecnologia e sociedade. Buscando
fazer relações da identidade do educador de ciências, sua práxis e os enfoques
acima que dão a estas reflexões inteireza e diversidade.
Aqui se desenha o respeito pela ética da consciência ecológica e da
consciência à diversidade cultural dos povos como reflexão primordial.
Começo abordando a questão da
legitimação da verdade que se dá pela práxis humana de plurais identidades. Pelo
entendimento que fazemos da práxis: legítima ação humana através da qual o
indivíduo projeta o seu desejo, age com base nesse desejo e, depois de passada
a ação reflete-a comparando o que foi feito com o que foi desejado; estamos
ciente de que todo homem é capaz disto realizar. Quem não projeta desejos e
utopias, os tenta realizar, avaliando posteriormente o feito, comparando com o
que sonhará? Isto é parte do nosso agir.
A mulher e o homem não podem ser vistos como seres separados da cultura
e do meio em que convivem. É este meio que dá a esse homem e mulher os valores
e a identidade da consciência social que governa seus atos. O que acredito e como
acredito faz parte de uma teia de relações culturais e sociais nas quais estou
mergulhada e inserida como mulher, porque é essa cultura e sociedade que me
fazem fêmea humana. A cultura é a qualidade chave que nos distingue das demais
espécies vivas. A consciência social da fêmea indígena é rica de rituais,
conhecimento mítico, de habilidades artesanais e conhecimento ecológico
profundo fundamentado na experiência ancestral de como sobreviver nas
florestas. A minha consciência de mulher do final do século XX, professora de
formação e profissão, faz-me pessoa de pensamento lógico marcante e
preponderante sobre o pensamento ritual, mítico, artesanal e ecológico, mas a
consciência artística cênica é aflorada e intensa, quando emergida, por causa
de minha vivência em teatro por 10 anos. E a consciência social de minha avó
materna é de profundo respeito as tradições e convicções que lhe transmitiram
seus pais; tudo que aprendeu na juventude, ou seja , todos os costumes e
valores do início do século fazem parte fundamental em seu imaginário de mulher
nordestina. Estas três consciências se referenciam em 3 paradigmas culturais
distintos e diversos, coerentes e profundamente humanos. Reconhecer isto é
trabalhar com as energias de emancipação dos sujeitos humanos.
Assim, a concretização do vínculo com a natureza, através: do despertar
de uma identidade ecológica transnacional, em nossa sala de aula, discutindo
nossas semelhanças e diferenças; reconhecendo e compreendendo nossa diversidade
cultural - onde convivem a cultura do índio, do branco, do negro; percebendo
como cada povo, ou grupo humano, interfere nos meios ambientes, sociais e naturais;
conhecendo as contribuições das diversas culturas da Terra, é imprescindível.
Ao refletir a formação do educador em ciências, aspecto fundamentador
de sua identidade, percebe-se que existe uma carência de interações entre
ciência-tecnologia e sociedade, nos cursos de formação acadêmica docente
existentes atualmente em diversos países (CARVALHO 1995: 69). As discussões no
sentido do papel da ciência-tecnologia e sociedade são essenciais para dar uma
imagem correta das ciências.
O trabalho dos homens e mulheres de Ciências – como
qualquer outra atividade humana – não tem lugar à margem da sociedade em que
vivem. As circunstâncias do momento histórico e a ação efetiva do pesquisador
têm influência decisiva sobre seu trabalho e sobre o meio físico e social em
que este trabalho se insere.
A preparação permanente do professor deverá se dar através da pesquisa
permanente, porque somente a pesquisa mantém a constante inovação na formação
dos docentes. A didática das ciências precisa romper com um grande obstáculo
que é a ausência da metodologia da pesquisa nos currículos de formação docente.
Esta reflexão é imprescindível para o processo identitário do professor de
ciências, pois, traz a tona essa busca crítica, analítica do trabalho
educativo, da postura do educador e da realização pessoal deste profissional.
A metodologia da pesquisa que fundamenta este
trabalho é o da metodologia qualitativa que dá uma nova consistência às
pesquisas sócio-educacionais. A sociologia acredita nos “sentidos”, nas
“definições” e nas “ações” que indivíduos e grupos elaboram no processo de
“interação simbólica” do dia-a-dia. O Interacionismo que teve embasamento na
psicologia social, de orientação fenomenológica, contribuiu com resultados
relevantes na compreensão e explicação da ação humana e da sociedade através de
sociólogos americanos que vincularam as preocupações sociológicas aos
condicionamentos da realidade histórica vivida pelo sociólogo/pesquisador,
através da observação participante. (HAGUETTE, 1987: 58-87)
Utilizamos um roteiro de entrevistas teve a seguinte conotação:
profissão professor formação e identidade; sentidos e finalidades da vida e das
ciências; o diálogo, os projetos (como anda a práxis? – Como define o trabalho
docente?).
Outros componentes fundamentais da entrevista considerados são: a situação da entrevista e
o instrumento de captação dos dados. Foram entrevistadas três professoras de
ciências do Rubem Nogueira em horário de intervalo de nossas aulas, com duração
de 20 minutos mais ou menos, cada entrevista, e o instrumento de captação foi
um gravador de som.
Durante todo processo da pesquisa foi verificada a
pertinência das questões selecionadas frente às características específicas da
situação estudada.
Ao analisar os dados das observações e entrevistas de campo senti
necessidade de discutir as concepções expontâneas dos docentes por considerá-las
aspectos muito fortes de suas identidades.
Toda concepção expontânea vai sendo modificada a medida que a gente
aprende. Levamos essas concepções para a escola e lá elas vão se transformando
e assim vão sempre. As idéias fixas não devem fazer parte da postura do
professor. Existem, entretanto, um conjunto de concepções que dão forma e corpo
ao que somos, como pensamos e interagimos, tais concepções fazem parte de nossa
identidade. Surgiram das nossas vivências no mundo e são o leme do nosso agir.
Ninguém age sempre da mesma maneira, mas algo marcará de alguma forma os nossos
atos, como a manifestação de uma impressão digital. Existe uma conduta, dada
pelos valores e costumes de nossa sociedade, que merece ser continuamente
repensada. Mais do que outro, nós, educadores, devemos nos preocupar com a
verdade e com a coerência. Mudar é parte fundamental dessa reflexão. Quem não
muda não está aprendendo, talvez porque não aceite a verdade nem a coerência.
Bem, e a verdade e a coerência dependem muito dos argumentos, do poder de quem
diz e da capacidade crítica de quem ouve. É preciso respeitar os valores, as
culturas, os costumes, com moderação, sabendo ultrapassá-los processualmente. O
conhecimento é construído com base na mudança e no respeito aos valores
humanos, que jamais devem ser desrespeitados.
Outro ponto principal destas reflexões e análises
é o trabalho docente como processo coletivo. A escola não educa sozinha, uma
sociedade é que gera seus cidadãos através dos valores culturais que lhes
incute, porque a educação, o trabalho docente, é projeto coletivo. Para
realizar este projeto carecemos desenvolver a autonomia, saber querer, saber
para que realizar tal projeto, como realizá-lo? Buscando desenvolver nossas
identidades, pelo diálogo, em todos os setores sociais que envolvem o processo
educativo, onde os parceiros precisam se encontrar!
“Para
que haja essa troca, para que os professores dialoguem, conversem sobre o que
viveu numa determinada classe (...) precisa haver afetividade, ela é
fundamental para que haja um trabalho coletivo de diálogo.” (entrevistada Z)
As colocações de Gadotti fundamentam a compreensão que faço da parceria
como noção e proposta:
“Suponho que não existe condição de reconhecer a
diferença se não se parte da aceitação da alteridade e da igualdade, porque
para me conhecer necessito conhecer o outro como parceiro.” (1992:19-20)
No aspecto formação docente para pesquisa Carvalho
(1995) deixa claro a carência do docente na formação como pesquisador, também o
depoimento das professoras de ciências do CERN confirma esse quadro.
A fala das colegas reforça
as colocações de Carvalho, no livro Formação de Professores de Ciências
(1995), com referência a existência de uma carência, nas graduações dos cursos
de formação docente, da metodologia da pesquisa, fundamental para permitir a
plena realização do ensino. A pesquisa geralmente considerada no cotidiano do
CERN é a consulta
bibliográfica. Ou seja, um equívoco provocado pela falta da formação
do pesquisador. O fundamental da formação em pesquisa é a possibilidade da permanente
formação docente.
Ao refletir a categoria ciência, tecnologia e
sociedade surge o respeito a ética ecológica e a diversidade cultural dos povos
como pontos emergentes e também urgentes para nossas reflexões educativas,
científicas e tecnológicas. Com respeito ao novo papel das Ciências, no mundo
de hoje Capra nos sugere:
“(...)
mudar radicalmente os métodos e os valores subjacentes à nossa ciência e à
nossa tecnologia. (...) defendo a mudança de uma atitude de dominação e
controle da natureza, incluindo os seres humanos, para um comportamento
cooperativo e de não-violência.” (CAPRA, 1995:248)
Precisamos conhecer o que realmente queremos enquanto
educadores/formadores de cidadãos de identidade ecológica transnacional
(SANTOS, 1996: 137-157). Ouvir os desejos, os afetos e os sonhos daqueles com
quem lidamos: como pautam suas vidas, sob que valores? Qual o valor da ciência
para os nossos educadores? As respostas a essas interrogações são fatores de
vida ou morte para nosso futuro, que se faz em nossas ações cotidianas de hoje.
É urgente à compreensão do que está a nossa volta, principalmente porque tudo
tem mudado muito rápido.
A práxis aqui versou e
reforçou o diálogo com os diferentes, porque são parceiros, e a busca do
reconhecimento, identificação e aceitação dessa parceria. Nós,
professores/educadores de Ciências Físicas e Biológicas temos uma identificação
estética e ao mesmo tempo dissecadora com relação a natureza. Nunca deveremos
esquecer a postura ética com essa mesma natureza, conosco e com o outro, nosso
parceiro. Antes de sermos professores somos cidadãos do mundo. O principal
componente vivo da natureza é o próprio ser humano. Somos nós, você, eu e os outros,
que precisamos respeitar e reconhecer às singularidades e diversidades das
culturas humanas em nossa sala de aula, através da reflexão e o diálogo. Porque
a sala de aula é o próprio mundo em nossas mãos com todas as suas nuanças
científicas, tecnológicas e humanas. Ultrapassar os obstáculos à efetivação
desta identificação e aceitar a parceria dialógica/reflexiva é querer ser feliz
na profissão que abraçamos, é respeitar as diversas práxis humanas que
borbulham em nosso dia-a-dia, é realização profissional, é querer, é poder, é
transformar a realidade e realizar o sonho traçado na mente e no coração.
Referência
bibliográfica:
CAPRA, Fritjof. O futuro da
nova física.
In: O tao da física. São Paulo: Cultrix, 1995: 240 – 253.
CARVALHO, Anna M. Pessoa & GIL-PÉREZ,
Daniel. Formação
de professores de ciências: tendências e inovações.[tradução Sandra
Valenzuela]. – 2. ed. – São Paulo: Cortez, 1995. – (Coleção questões de nossa
época : v. 26).
GADOTTI, M. Uma escola com
muitas culturas. Educação e identidade, um desafio global. In : Revista da FAEEBA/UNEB,
Ano 1, nº 01 (jan/jun, 1992. Salvador - UNEB, 1992).
HAGUETTE, Teresa Ma. Frota. A observação
participante. Metodologias qualitativas na sociologia. Petrópolis, RJ:
Vozes, 1987: 58 - 87.
SANTOS, Boaventura de Souza.
Modernidade identidade e a cultura de fronteira. In: Pela mão de Alice. O social e o
político na pós-modernidade. 3 ed. São Paulo: Cortez, 348p. 1996, p.
137-157.
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