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Más sobre este recurso: Catalogado en base de datos como: "As ferramentas ""Enterprise Resource Planning"" (ERP) e seu im: "O presente trabalho visa discutir o impacto das ferramentas ""Enterprise Resource Planning"" (ERP) nos currículos universitários, com ênfase na situação brasileira. ERP é um assunto novo - talvez a expressão não tenha sido cunhada há mais de seis an Agregado: 24 de MAYO de 2000 (Por Vivaldo José Breternitz) | Palabras: 3714 | Votar! | Sin Votos | Sin comentarios | Agregar Comentario Categoría: Apuntes y Monografías > Portugués > |
Interamerican Council on Engineering and Technology Education
6th Interamerican Conference on Engineering and Technology
Education
Cincinatti-OH - 2000
As ferramentas
"Enterprise Resource Planning"
(ERP) e seu impacto nos currículos universitários
Breternitz,
Vivaldo José
Universidade Presbiteriana
Mackenzie
Rua Prof. Joceny V. Curado,
73, !3260-320 - Jundiaí/SP Brasil
Fone 55 11 231
7693
Fax 55 11 232
2554
(vjbreternitz@yahoo.com)
Kurihara, Takato
Universidade
Presbiteriana Mackenzie
Rua Itambé, 45, 01239-902
- S. Paulo/SP
Fone 55 11 236 8301
As ferramentas
"Enterprise Resource Planning"
(ERP) e seu impacto nos currículos universitários
Autores: Breternitz, Vivaldo José e Kurihara, Takato
Area: Curriculum Innovations
Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie, S. Paulo, Brasil
Breternitz,
Vivaldo José, mestre em
Engenharia de Computação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, graduado em
Administração de Empresas pela FCECAEP Anchieta. É Gerente Geral de
Administração e Controle da Banespa
S.A. – Corretora de Câmbio e Títulos (a maior corretora de valores do Brasil e
uma das maiores administradoras de carteiras de investimentos), e professor na
FCECAEP Anchieta (vjbreternitz@yahoo.com)
Kurihara, Takato, Doutor em Ciência da Computação pela
Universidade Presbiteriana Mackenzie, graduado em Engenharia Eletrônica pela
FEI. Profissional na área de
Informática há mais de 30 anos; professor há 27 anos, chefe do Departamento de Informática da
Universidade Presbiteriana Mackenzie,
titular na FASP e Coordenador Técnico do curso de Ciência da Computação
da FAI. (fciinfo@mackenzie.br)
ABSTRACT
Enterprise Resource Planning (ERP) é um assunto novo - talvez a expressão não tenha sido cunhada há mais de seis anos - como tal, escassa atenção recebeu até agora dos setores acadêmicos.
Apesar da
carência da abordagem acadêmica (que aos poucos vem sendo buscada,
principalmente através de parcerias Universidades/fornecedores), não se pode
fugir a uma realidade: as soluções ERP estão se tornando um novo paradigma para
a computação dita "comercial"
(Michael Hammer afirma que "The most potent and subversive contemporary
instrument of business revolution is ERP"), e ocupando um espaço cada
vez mais amplo no mercado de software.
Essa afirmação é
confirmada pelo fato de que mais de 60% das empresas pertencentes ao grupo
“Fortune 1000” (empresas consideradas por essa revista norte-americana como as
mil mais importantes empresas do mundo)
já se utilizam dessas ferramentas - o Brasil já é o sexto mercado para esse
tipo de produto; dados estes números, ERP torna-se um assunto que deve ser
objeto da atenção da Universidade, no mínimo pela sua capacidade de provocar
alterações no mercado de trabalho de seus alunos.
Essa situação,
assim como acordos análogos ao acima mencionado devem levar à alteração de
currículos escolares, como já vem acontecendo em universidades do exterior;
nestes termos, este trabalho pretende discutir este assunto, com ênfase
especial para as Universidades brasileiras e considerando as peculiaridades do
ambiente em que se inserem.
INTRODUÇÃO
O presente
trabalho visa discutir o impacto das
ferramentas "Enterprise Resource Planning" (ERP)
nos currículos universitários, com ênfase na situação brasileira.
ERP é um assunto novo - talvez a expressão não tenha sido cunhada há mais de seis anos; como tal, escassa atenção recebeu até agora dos setores acadêmicos; também por isso, a literatura acerca dos ERP é muito reduzida.
Levando-se em conta esses fatores, julgou-se oportuno iniciar este trabalho conceituando ERP. Não se pretende definir ERP de maneira precisa, apenas apresentar conceitos que facilitem o entendimento do assunto, como forma de melhor se atingir o objetivo do trabalho.
Enterprise
Resource Planning pode ser definido de diversas maneiras, dependendo de como se
posiciona o estudioso do assunto: como uma solução de sistemas de informação
para toda a empresa (Lieber, 1995);
como uma arquitetura de software que facilita o fluxo de informações entre todas as áreas de uma companhia, como por exemplo,
manufatura, logística, finanças,
recursos humanos, etc. (Hicks, 1997); como um banco de dados empresarial que interage com um conjunto integrado de aplicativos e que consolida
todas as operações da empresa em um único ambiente de computação (PeopleSoft,
1997), etc.
Do ponto de
vista de um profissional de Tecnologia
da Informação (TI), uma boa definição talvez fosse “Tecnologia capaz de
organizar e integrar as informações armazenadas nos computadores de uma
organização, de forma a eliminar dados redundantes ou desnecessários, racionalizar processos e distribuir a informação
on line pelas várias áreas da mesma, de forma estruturada e aceita como
fidedigna por todas elas. Pode ser
entendido como a espinha dorsal (backbone) de TI na empresa, dentro da
filosofia de centralizar a complexidade e distribuir a informação”.
De um ângulo mais
funcional, idealmente seria um sistema que captura uma dada informação uma
única vez e a partir dela dispara uma série de operações na empresa e as
rotinas de computador a elas vinculadas; o exemplo clássico seria o do representante de vendas que ao emitir um
pedido, aciona os sistemas de suprimentos, de fabricação, entrega, faturamento,
custos, etc. - permitindo que as informações pertinentes sejam acompanhadas em
tempo real, de forma sintética e/ou analítica, por clientes e
fornecedores, e armazenando dados para
consultas futuras.
Como se disse, a literatura acerca de ERP é escassa. O pouco que se encontra são obras voltadas ao "como", em especial ao "como implantar", sem qualquer abordagem teórica - facilmente pode-se constatar que tais obras não passam, em sua absoluta maioria, de manuais apresentados sob a forma de livros, ou no jargão da área, "redbooks", produto do trabalho de profissionais que de maneira empírica implantaram os primeiros ERP e que procuraram colocar sua experiência no papel.
Na imprensa especializada, o material
disponível é um pouco mais amplo, porém sempre enfocando o como implantar, as
tendências de mercado, e, principalmente fazendo a promoção de determinados
produtos - tudo isso torna difícil o trabalho dos profissionais na área.
Apesar da carência
da abordagem acadêmica, não se pode
fugir a uma realidade: as soluções ERP estão se tornando um novo paradigma para
a computação dita "comercial" e
ocupando um espaço cada vez mais amplo no mercado de software - as
empresas estão se focando em processos, e as ferramentas ERP, são, por natureza
focadas nos mesmos, o as reforça como paradigma.
Essa afirmação
pode ser confirmada pelo fato de que mais de 60% das empresas pertencentes ao
grupo “Fortune 1000” (empresas consideradas por essa revista norte-americana
como as mil maiores empresas do mundo) já se utilizam dessas ferramentas
(InformationWeek, 1999) - o Brasil já é o sexto mercado para esse tipo de
produto (Andrade, 1999); como tal, são um assunto que deve ser objeto da
atenção dos profissionais da Tecnologia da Informação, se não por outros
motivos, pela sua capacidade de provocar alterações no mercado de trabalho para
os profissionais dessa área.
Para corroborar o
acima dito, pode-se lembrar que ERP é um dos segmentos do mercado de software
que mais rapidamente cresce (Stevens, 1997).
Em 1997, os 10 maiores vendedores de ERP faturaram mais de US$ 5,8
bilhões, contra os 4,8 bilhões de 1996. Analistas prevêem um crescimento do mercado, com as vendas de licenças de software se
comportando conforme mostrado pela tabela
a seguir (Lachal, 1998):

As novas
funcionalidades que vão sendo acrescentadas a
esses sistemas, somadas às razões mencionadas anteriormente, fazem com
que esse crescimento seja considerado bastante provável - observe-se que aqui
estão apenas considerados os valores referentes
ao licenciamento
de uso de software, sem considerar hardware, telecomunicações, consultoria e
outros valores agregados, que usualmente são estimados em duas vezes o valor do licenciamento.
Outras fontes (AMR, 1998) são mais conservadoras, e prevêem que nos próximos cinco anos as vendas de ERP crescerão num ritmo de 37% ao ano, atingindo US$ 52 bilhões em 2002. Para justificar suas previsões, dizem que o fornecimento de novas funcionalidades, cobrindo novas áreas (automação de força de vendas, por exemplo) e a venda de mais licenças a já usuários alavancarão os negócios.
Segundo essas mesmas fontes, o "índice de penetração" (funcionários de empresas usuárias utilizando o sistema) está entre 10 e 20%, número que acreditam poder elevar para 40-60%. nesse período. Outro fator, será a utilização de ERP em novos segmentos do mercado, como por exemplo, varejo, administração pública, saúde – está sendo desenvolvida solução desse tipo no Brasil (Gazeta Mercantil, 1999), etc.
Evidentemente tais valores, mesmo atribuindo-se um razoável grau de incerteza a essas previsões, cuja exatidão não se pretende aqui discutir, devem causar impacto nas organizações usuárias em termos de política de aquisição de software, recursos humanos, etc., o que reforça nossa disposição, como educadores, de discutir o assunto.
Convém também apresentar rapidamente algumas informações acerca da divisão do mercado ERP. Em termos mundiais, há centenas de fornecedores de ERP ou pseudo-ERP's. No entanto, por qualquer prisma que se analise o assunto, pode-se dizer que seis companhias dominam o mercado, como se vê a seguir (AMR, 1997) :

Todos estes
fornecedores estão estabelecidos no Brasil, e concorrem com alguns fornecedores
de origem nacional. No ano de 1998, o
mercado brasileiro estava dividido conforme mostra a figura abaixo:

Em termos de
venda de licenças de uso, o mercado brasileiro deve se comportar como mostra a
figura abaixo:

A Universidade,
vem se conscientizando da importância do assunto. Acordos tem sido celebrados
entre fornecedores de hardware, software e Universidades, com estas recebendo,
geralmente a custos simbólicos, recursos daqueles; professores são treinados,
laboratórios equipados e ERP passa a ser um tema de importância tal a ponto de gerar alterações de currículos.
Acordos como os
acima mencionados já vem sendo
celebrados há algum tempo por
universidades, como por exemplo
Louisiana State University e California State University, ambas nos
Estados Unidos. Essa última, foi provavelmente a pioneira na celebração de
grandes acordos desse tipo, tendo em fins de 1996 iniciado a utilização de
ferramentas ERP em atividades docentes. Mais de 2.000 alunos já tiveram contato
com o tema, buscando a Universidade abordar o assunto de forma
multidisciplinar, ou seja, envolvendo docentes e alunos de diversos cursos
(Tecnologia da Informação, Marketing, Administração, etc.), de forma a obter o
maior proveito possível dos mesmos.
Também no Brasil,
acordos tem sido firmados, podendo-se
citar como exemplos a Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São
Paulo e a Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio
Vargas.
Sabe-se que nos
meios universitários há focos de resistência a parcerias dessa espécie, em
especial sob a alegação de que as mesmas tendem a cercear a autonomia da Universidade e de seus professores, de
que o ensino e a pesquisa passariam a se subordinar a interesses comerciais,
etc. Tais argumentos certamente são válidos em alguma medida, não sendo, no
entanto, objetivo deste trabalho discuti-los - é importante no entanto
registrar que os fornecedores beneficiam-se dessas parceiras, pois as mesmas
preparam para o mercado profissionais já com algum grau de conhecimento de ERP
(esses profissionais hoje são muito raros e disputados), divulgam seus produtos entre futuros
executivos, além de obterem outros benefícios.
Isso posto, e levando-se em conta a percepção de que os ERP são uma realidade no mundo empresarial, percepção esta enfatizada pelas palavras de Michael Hammer, que afirma que "The most potent and subversive contemporary instrument of business revolution is ERP", fica claro que sua presença na Universidade é uma realidade a que não se pode fugir; assim, passa-se agora a discutir pontos relevantes para a introdução dessas ferramentas nos currículos escolares.
O primeiro deles é que a visão não deve ser a de “treinar os alunos em ferramentas ERP”, e sim utilizar essas ferramentas no processo de aprendizagem. A não observação desse ponto certamente atribuiria maior peso (e com razão) aos focos de resistência acima citados. Note-se que já há autores propondo que aquilo que é hoje chamado "treinamento", passe a ser encarado com "desenvolvimento profissional" (Nevins, 1999), o que torna ainda menos recomendável a visão supra.
No Brasil, algumas escolas vem oferecendo "cursos totalmente voltados para a Ferramenta XYZ" - essa proposta evidentemente é equivocada, comercial, simplista: pode até funcionar como uma estrutura de treinamento para técnicos que iriam auxiliar a implantar e/ou utilizar aquela dada ferramenta, porém foge totalmente dos verdadeiros objetivos da Universidade.
Assim como as empresas, as universidades tem sido procuradas pelos fornecedores de ERP. Também de forma análoga, estas devem, antes de se decidirem por que ferramenta adotar, estabelecer de maneira clara seus objetivos: há interesse em atrair mais recrutadores? Como a pesquisa é tratada na instituição? Como os cursos de pós graduação serão envolvidos?, e outras similares.
A seguir, sugere-se definir quais cursos serão envolvidos, quais disciplinas serão afetadas e até eventual inclusão de novas disciplinas. Assim como ERP é um fator de aumento do grau de integração na empresa, numa Universidade poderá ser um fator de aumento de interdisciplinaridade, o que é muito saudável.
São candidatos naturais os cursos ligados às áreas de Negócios (Administração, Contabilidade, Economia, Marketing), onde os ERP seriam utilizados não só para o entendimento amplo da forma pela qual uma empresa opera e para a integração de conceitos através dos diferentes cursos, como para suporte à discussão de temas ligados a cada uma dessas áreas, como os das áreas de Tecnologia (Computação, Engenharia), onde, além do acima mencionado, se mostraria aos alunos o papel dos Sistemas de Informação na empresa e os desafios envolvidos em sua implantação e gerenciamento. Além disso, os conceitos de utilização de Sistemas Especialistas e de decisão, envolvendo técnicas mais avançadas de análise e de programação poderão ser discutidos através do uso dessas ferramentas.
Nesse ponto, já se poderia pensar em explorar os eventuais parceiros. Quase todos os grandes fornecedores de ERP se dispõem a desenvolver processos de parceria, como já se disse. Há fatores críticos, que devem ser considerados quando da negociação com os possíveis parceiros: hardware ( O que já que está disponível? O eventual parceiro se dispõe a fornecer? Há possibilidade de outros parceiros?) , estrutura de redes locais, treinamento de professores e funcionários, entre outros.
Ao se selecionar
uma ferramenta ERP para implantação na empresa, alguns fatores devem ser
considerados, e cuidadosamente, face aos investimentos envolvidos e à
importância estratégica do assunto: Funcionalidades, Custos, Suporte, Tecnologia, Estrutura do
fornecedor, etc. Na Universidade, pode-se dizer que os fatores são praticamente
os mesmos, no entanto, com pesos substancialmente diferentes, como por exemplo,
no que se refere a: Custos - tratando-se de uma proposta de parceria,
certamente os custos para a Universidade tendem a ser muito pequenos; Funcionalidades:
como não se pretende prioritariamente treinar os alunos, e sim desenvolver nos
mesmos o conhecimento do modus operandi das organizações, e como os ERP de
grandes fornecedores todos atendem a um grande espectro de funcionalidades,
este, que é um ponto chave na escolha do ERP para uma empresa, deixa de ser no
caso da parceria com a Universidade (evidentemente, não estamos considerando a
hipótese de o sistema estar sendo utilizado para a administração da própria
Universidade, quando os pesos seriam certamente outros).
Importante também
seria a aderência da ferramenta às novas realidades com que o ensino se
defronta, em especial a utilização da Internet e a outras ferramentas que vem
sendo ou serão utilizadas pela Universidade (CAD/CAM, Comércio Eletrônico, Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos,
etc.).
Lozinsky (1996), falando dos fatores críticos
para o sucesso da implantação de uma solução
ERP na organização, ressalta a importância do processo de
"evangelização" (obtenção do consenso interno), para que esse sucesso
seja atingido. Na Universidade, onde a cadeia de comando, e a autoridade,
tendem a ser mais fluídos que na empresa, tal consenso torna-se ainda mais
importante - quando obtido, é talvez a condição chave para o sucesso.
No mesmo grau de
importância, colocaríamos o treinamento dos professores, alunos participantes
do processo de implantação e funcionários que de alguma forma interagirão com a
ferramenta - principalmente aqueles ligados à área de Informática da
Universidade. Ressalte-se que não se trata apenas do treinamento inicial, mas
sim de um processo contínuo tratando novas funcionalidades, atualização
tecnológica, reciclagem, etc. - o conhecimento do estado da arte é fundamental,
em especial para o corpo docente.
Segundo Wieder
(1999), a carência de pessoal treinado e os problemas decorrentes dessa
carência, são as principais dificuldades para a integração de ERP aos
currículos universitários com sucesso, pelo que, reitera-se a recomendação de
cuidados especiais nessa área.
Cabe ainda mais
uma colocação: temos observado na Universidade a utilização de mais de um aplicativo
para a mesma finalidade, como por exemplo mais elementar, diferentes planilhas
de cálculo. No caso dos ERP, pelo impacto de sua implantação na instituição e
pelo volume de recursos necessários à sua implantação, não julgamos viável a
adoção de mais de uma ferramenta - a tendência seria dispersar os recursos
geralmente escassos e não se chegar a uma implantação e utilização com sucesso;
evidentemente, não se pretende chegar ao ponto de fazer com que os alunos
ignorem a existência de várias soluções, mas tentar usar mais de uma, no
presente momento, não seria racional.
Definida e
formalizada a parceria, torna-se necessário um plano de implantação, mantendo o
compromisso de todos os envolvidos e das esferas maiores da Universidade (como
nas empresas, se essas esferas não apoiarem o projeto, este tende a não
prosperar). Esse plano deve considerar,
entre outros, aspectos como infra-estrutura de Tecnologia da Informação, treinamento, etc., mas principalmente, o
como cada um dos cursos e disciplinas envolvidos podem tirar o melhor proveito
da ferramenta que ora se torna disponível. Por se tratar quase sempre de algo
radicalmente novo na Universidade,
recomenda-se uma abordagem cautelosa: pré-requisitos seriam determinados,
disciplinas poderiam considerar ERP como mais um recurso, na seqüência programas e planos de aulas poderiam ser
reformulados e, dependendo das peculiaridades de cada instituição, até mesmo
poderia se chegar à inclusão de novas disciplinas no currículo.
Lembra-se também
outro cuidado a ser tomado na elaboração de planos: na Universidade, como na
empresa, ERP envolve mudança de cultura; assim, não se pode simplesmente
transplantar uma experiência de sucesso numa instituição de ensino para outra -
cada uma delas tem suas peculiaridades; a análise de outras experiências é
recomendável, porém não suficiente.
Ressalta-se a
importância de os cursos utilizarem os recursos mostrados no esquema abaixo,
para melhor aproveitamento:

Ou seja,
além das atividades em sala de aula, atividades em laboratório e estudos de
casos e trabalhos de campo seriam fundamentais para assegurar o melhor
aproveitamento.
Outra forma de
trabalho com os ERP na Universidade seria através das Empresas-Júnior. No
Brasil e em alguns outros países, essas instituições, surgidas na França nos
anos 60 e que são associações civis sem
fins lucrativos, prestam consultoria a empresas, com os alunos, utilizando
os conhecimentos adquiridos
durante seus cursos de graduação, desenvolvendo projetos com a
orientação de professores.
Seu objetivo
prioritário é o de complementar a formação
teórica dos estudantes através
de contatos práticos com o mundo empresarial. A utilização dos ERP por essas
organizações poderia ir até o nível de prestar serviços aos seus clientes utilizando
os ERP – já se faz outsourcing de processamento de ERP, e essa seria uma forma
análoga de utilização da ferramenta, desta vez para empresas cujo pequeno porte
não permitiria o acesso à mesma (este outsourcing já tem feito profissionais da
área falarem no renascimento dos velhos "bureaux de serviços").
Também poderia ser considerada a hipótese de alunos experientes, através da
empresa júnior, participarem como instrutores
de processos de treinamento de funcionários de empresas que estivessem
implantando um dado ERP – essa seria mais uma ponte Universidade-mercado de
trabalho.
Nesse ponto, deve
também ser planejado o processo de implantação do software, com sua
configuração inicial; há registros de Universidades rodando duas versões do
mesmo: uma "de produção", utilizada pelos alunos dos diversos cursos
e outra como "bancada de testes", utilizada principalmente por
técnicos de informática e alunos de cursos dessa área, que estariam mais voltados para questões
específicas de suas carreiras, como performance, carga de máquina, técnicas de
programação etc.
Profissionais de ERP costumam alertar:
"a vida não termina com a implantação do ERP - apenas se inicia" -
assim, há que se considerar também o que vem a seguir: atualização de versões,
métricas para avaliação não só dos alunos e do processo de aprendizagem, como da efetiva utilização da ferramenta,
feedback, etc., sempre com o objetivo de
manter o maior grau possível de aproveitamento dos recursos que foram
postos à disposição da comunidade acadêmica.
Finalizando: como
se disse, ERP está se tornando um
paradigma; porém, como é certo, outros
paradigmas surgirão, e esta é uma verdade que devemos transmitir aos nossos
alunos, buscando, enquanto os tornamos melhores profissionais, despertar neles
a consciência de que o aprendizado não pode parar nunca. Da mesma forma, a
adoção de ERP, apesar de sua longa curva de aprendizagem, não
pode fechar os olhos dos professores
para as novas tendências educacionais e tecnológicas - uma atitude
sempre atenta segue sendo altamente recomendada!
REFERÊNCIAS
Andarde, Wagner (1998), "Arquitetura de
Componentes: Revolução nos Sistemas ERP", in "Informática Hoje",
no. 460, pp 32.
Breternitz,
Vivaldo J., 1999, "Os Sistemas Integrados de Gestão "ERP-Enterprise
Resource Planning" e uma aplicação em Instituição Financeira",
dissertação de mestrado apresentada à Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Gazeta
Mercantil (1999), “Novo software para hospitais”, edição de 10.02.99, pp. C3.
Hicks, Donald A. (1997), "The Manager’s Guide to Supply Chain
and Logistics Problem-Solving Tools and Techniques" , in "IEEE
Solutions", Vol.29, Iss.10,
pp.24-29.
InformationWeek
(1999), “Big Strides For ERP -- With core applications in place at most large
companies, users are exploring what can be done with ERP software”, edição
número 715, de 04/01/99.
Lachal,
Laurent (1998), "Ovum Evaluates: ERP", Ovum’s IT Analysis Group.
Lieber, Ronald B. (1995), "Here Comes SAP",
in "Fortune", Vol.132, Iss.7, pp.122-124.
Lozinsky,
Sérgio (1996), "Software: Tecnologia do Negócio", Ed. Imago.
Nevis, Mark David e Stumpf, Sthepen A., 1999,
"21st-Century Leadership", in "Strategy & Business, edição do 3º trimestre,
Booz-Allen & Hamilton.
PeopleSoft (1997),
"PeopleSoft: Meet PeopleSoft", in http://www.peoplesoft.com, em
10/12/98.
Stevens, Tim (1997),
"ERP Explodes", in
"Industry Week", Vol. 245, Iss. 13, pp.37-40.
Wieder, Bernhard (1999), "ERP - Software
Integration at Australian Universities - recent Developments in Integrated
Business Education", trabalho apresentado na CTI Accouting Finance &
Management Conference.
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