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Más sobre este recurso: Catalogado en base de datos como: SUBSÍDIOS PARA UM PROJETO DE GESTÃO DO CONHECIMENTO (KNOWLEDGE: O artigo pretende fornecer subsídios para o estudo do assunto, com ênfase em conceitos básicos e na necessária estrutura de Tenologia de Informação para uma iniciativa de KM Agregado: 24 de MAYO de 2000 (Por Vivaldo José Breternitz) | Palabras: 2464 | Votar! | Sin Votos | Sin comentarios | Agregar Comentario Categoría: Apuntes y Monografías > Portugués > |
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SUBSÍDIOS PARA UM PROJETO DE GESTÃO DO CONHECIMENTO
(KNOWLEDGE MANAGEMENT - KM)
Vivaldo José Breternitz*
RESUMO
O artigo pretende
fornecer subsídios para o estudo do
assunto, com ênfase em conceitos básicos e na necessária estrutura de Tenologia
de Informação para uma iniciativa de KM.
PALAVRAS-CHAVE:
Gestão do conhecimento, conhecimento tácito, conhecimento
explícito, KM.
ABSTRACT
The article
intends to give subsidies for the study of Knowledge Management, with emphasis
in basic concepts and in the necessary structure of Informatio Technology.
KEY-WORDS:
Knowledge Management, tacit knowledge, explicit
knowledge, KM.
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* Mestre em
Engenharia Elétrica (Computação) pela Universidade Mackenzie; graduado em
Administração pela FCECAEP Anchieta, onde é professor. É também Gerente Geral
da Banespa SA Corretora de Câmbio e Títulos, a maior corretora de valores do
Brasil.
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Introdução
Com a Economia se
sofisticando, as organizações necessitam tornar sua Administração também
mais sofisticada, passando a atentar
para aspectos que há não muito tempo
podiam ser ignorados, principalmente porque as mudanças constantes não eram a
regra. Quando se falava em 'ativos' de uma organização, pensava-se logo em ativos
financeiros, instalações, maquinaria, etc., sequer cogitando-se considerar
ativos coisas como marcas (que em muitos casos são o ativo mais valioso de uma
organização - Coca-Cola por exemplo, cuja marca valia cerca de US$ 73 bilhões
em 1999) ou conhecimento. Um desses aspectos para os quais as organizações
estão passando a atentar, é o gerenciamento do conhecimento, que poderia ser
uma tradução adequada para a expressão original "Knowledge
Management"; porém como ainda não há evidências quanto à sua aceitação,
será usado aqui o acrônimo KM.
Quando se começa a discutir
o assunto, surge inicialmente uma grande dúvida: o conhecimento pode ser
gerenciado? À primeira vista, "conhecimento" e "gerenciamento" parecem ser
termos incompatíveis: conhecimento
envolve fatores cognitivos, altamente pessoais, enquanto gerenciamento induz a
pensar-se em processos estruturados, em organização. Além disso, muitos
daqueles que desenvolvem trabalhos mais intelectuais, que envolvem o
conhecimento um pouco mais sofisticado (knowledge
workers), não gostam de ser
gerenciados, ao menos no sentido
tradicional da palavra. Porém, se como se disse, cada vez mais o
conhecimento é reconhecido como um recurso, um ativo fundamental para
as organizações, sua gestão
torna-se importante demais para não ser abordada e estudada de forma
estruturada.
Acreditando que em breve as organizações de um certo
porte estarão se preocupando com o tema, este
artigo pretende fornecer subsídios
para o estudo do assunto, com ênfase em conceitos básicos e na
necessária estrutura de Tenologia de Informação para uma iniciativa de KM.
O mercado vem chamando de KM
tudo aquilo que se refere ao gerenciamento de expertise, know-how, capital intelectual, etc., no âmbito de uma dada organização,
procurando capturar e disponibilizar para reuso as habilidades, experiências e insights de seus membros. Caso fosse necessária uma definição
mais formal, talvez se pudesse adotar algo como "KM é a tarefa de
desenvolver e explorar os recursos tangíveis e intangíveis de conhecimento numa
dada organização, considerando os aspetos tecnológicos e organizacionais do
assunto" (WOODS, 1998).
As fontes de conhecimento podem ser divididas em duas
grandes categorias: as tangíveis, como as informações que a organização dispõe
sobre seus clientes, fornecedores, concorrentes, etc; e as
intangíveis como as habilidades e a
experiência (capital intelectual) dos membros da organização. Enquanto a
oportunidade/necessidade de se utilizar as fontes tangíveis de conhecimento de
forma mais efetiva é natural no ambiente organizacional, inclusive já havendo
ferramentas que viabilizam essa utilização de forma ampla (CRM - Customer Relationship Management, por
exemplo), KM procura enfatizar a utilização do conhecimento proveniente ds
fontes intangíveis, e essa ênfase é o que há de mais revolucionário no tema,
buscando resgatar o conhecimento que existe em
cada membro da organização e no relacionamento destes com seus colegas,
com seu trabalho, com clientes, fornecedores, etc.
Neste artigo,
quando se fala em "organizações" pode-se entender quase sempre
"empresas". Em 1867, Karl
Marx publicou seu Das Kapital, revolucionando o pensamento político e econômico ao
propor uma economia em que os trabalhadores possuiriam os meios de produção.
Atualmente, quando os regimes comunistas, um dos principais produtos das idéias
de Marx praticamente deixaram de existir, não deixa de ser irônico constatar
que as grandes empresas, as inimigas do comunismo por excelência, descobriram
que aquele que é atualmente o mais
valioso insumo para seus produtos - o conhecimento - é de propriedade de seus
trabalhadores! (KOULOPULOS, 1997).
Há o sentimento de que, à
medida em que as organizações tendem a atingir um mesmo patamar em termos de
utilização de tecnologia, KM poderá lhes dar um diferencial competitivo, pois
permitiria que informações relevantes fossem rapidamente disponibilizadas para
uso da "pessoa certa" e consequentemente permitiria que fossem
tomadas as melhores decisões, à frente da concorrência. Ainda não há possibilidade
de se estabelecer o quanto esses
conceitos prosperarão, mas cerca de 90% das empresas "Fortune
1000" dizem estar tomando
iniciativas nesse sentido.
Conhecimento explícito e
tácito
Pode-se identificar duas
espécies de conhecimento propriamente dito:
o explícito e o tácito..
Entender as diferenças entre conhecimento tácito e explícito é essencial para a compreensão de KM como um todo. Conhecimento explícito é aquele
que pode ser classificado ou estruturado isso facilmente, podendo por isso também ser transmitido facilmente.
Pode-se citar como exemplos de conhecimento explícito os resultados de uma
pesquisa de mercado, um manual de procedimentos, dados sobre vendas, produção,
etc.
Já o conhecimento tácito é
aquele cuja estruturação é difícil, às vezes impossível, e que é desenvolvido
através da experiência, observação, raciocínio e até mesmo intuição - é aquilo
que sabemos, mas não estamos seguros de como e por que sabemos. Isso também tem
um valor incomensurável, e até agora as organizações não tem tratado de sua
administração. São exemplos, as habilidades de um músico, de um escultor, ou de
um programador de computador; o entrosamento de um time de futebol, a sensibilidade (feeling) de um vendedor para uma boa oportunidade de venda, etc.
Outro forma de fixar essas
diferenças é considerar que o o
conhecimento explícito é "saber que" (knowing that) - saber que a organização está tendo um excelente
desempenho econômico/financeiro, que a inflação está caindo, etc. ; já o
conhecimento tácito é em grande parte
"saber como" (know how)
- saber como tocar violão, regular um motor "de ouvido", etc. Também
é missão de KM em uma organização
transformar o conhecimento tácito em explícito, permitindo que o
compartilhamento e o reuso do primeiro seja mais fácil.
Muitas organizações
descobriram o valor do conhecimento tácito da forma mais árdua. Os projetos de
reengenharia e downsizing executados
nos últimos anos fizeram com que muita
experiência administrativa e operacional fosse perdida. A perda de
pessoal experiente causou a perda de
conhecimento não registrado em sistemas de informações gerenciais, manuais,
normas, etc. Organizações que pretendem
ser "enxutas", com capacidade para reagirem rapidamente às mudanças
nos mercados em que atuam, precisam confiar quase que incondicionalmente nas habilidades, experiência e perspicácia
de seu pessoal - tudo isso constituindo o conhecimento. Organizações que
dependem fortemente de sua capacidade de inovação, como as produtoras de software e as que atuam em outras áreas de tecnologia
de ponta, como nanotecnologia por exemplo, dependem ainda mais fortemente do
conhecimento de seu pessoal como um fator crucial de viabilidade e
sobrevivência a longo prazo.
O conhecimento explícito já vem sendo tratado por muitas
organizações, que o vem classificando e
armazenando-o em bancos de dados, manualizando processos, etc. Neste momento,
entender o papel de conhecimento tácito permite com que se veja KM como um processo, que viabilizará, como já
se disse, o aproveitamento desse tipo de
conhecimento na organização, permitindo não só que pessoal menos
experiente lide com situações já conhecidas pela organização com base na
experiência anterior, como também que esses possam de alguma forma aproveitar a
experiência anterior diante de
situações novas e excepcionais - embora caiba enfatizar que nem todo
conhecimento tácito pode ser explicitado (DAVENPORT & PRUSAK, 1997) dão
ênfase a KM como um processo.
Uma estrutura para KM
Como já se disse, KM
compreeende aspectos culturais, organizacionais e técnológicos, especialmente
na área de Tecnologia da Informação (TI) . É clara a percepção de que os dois
primeiros aspectos tem grande
importância quando se planeja uma iniciativa para implantação de KM em
uma organização, mas o terceiro deles, os aspectos técnológicos são muito
discutidos, principalmente por aqueles que consideram KM apenas um novo rótulo
para velhas práticas, criado principalmente como veículo para venda de hardware, software e serviços de consultoria. Outros estudiosos, preferem
abordar o assunto por outro ângulo: KM é um tema novo, relevante e complexo,
que vem sendo utilizado como pretexto para a oferta de produtos e serviços, esses sim muitas vezes
desnecessários, superdimensionados ou "reciclados" (no pior sentido
do termo); esse fenômeno é observado sempre que novos temas passam a ser
discutidos.
Pode-se afirmar com certeza
que TI sozinha não consegue prover soluções para KM, mas num sentido inverso
pode-se afirmar também que sem uma adequada estrutura de TI não se consegue
praticar KM, ao menos de forma efetiva, e os aspectos dessa estrutura de
TI, é o que se discutirá a seguir.
Apesar de
estar surgindo como um novo conceito, KM tem origens em temas como inteligência
artificial, sistemas especialistas, data-mining,
case-based reasoning, etc., ganhando
relevância atualmente graças à tecnologia agora disponível, como a Internet, intranets, correio eletrônico, groupware, datawarehousing, etc. , que tornam mais fácil (ou menos difícil...)
a localização, acumulação e transferência da informação entre os diversos
pontos da organização.
Ao se pensar na efetiva implantação de KM, alguns pontos
devem ser pensados, em especial se considerarmos que KM impacta e depende do
fluxo de informações através e além da estrutura da organização: as
organizações aprenderam, quando de processos de reengenharia, qualidade total e
implantação de ferramentas ERP (Enterprise
Resource Planning), que essas situações de "cruzamento de
fronteiras" são melhor sucedidas
quando processos formais são institucionalizados. Mas, formalismo é inimigo da
inovação, do compartilhamento de experiências, o que acaba dificultando os
processos de definição do escopo, da infra-estrutura tecnológica e das métricas
para apuração dos resultados da implantação de um processo de KM. Além disso,
há outro fator a considerar: se informação é poder, como fazer com que aqueles
que a detém se disponham a compartilha-la?
Apesar de KM ainda não ser
algo perfeitamente estruturado, alguns pontos já emergem como fundamentais num
processo de implantação:
-
apoio dos mais altos escalões da organização;
-
criação de uma cultura que suporte a inovação, o aprendizado e o
compartilhamento do conhecimento - isso normalmente é alcançado através de uma
política de reconhecimento;
-
definição clara dos objetivos do projeto: o que a empresa deseja
alcançar e as métricas para mensurar o sucesso ou não do projeto;
-
qual o conhecimento, a "inteligência", que se necessita para
atender aos objetivos? O que a organização precisa saber? O que é fundamental,
importante ou apenas útil?;
-
identificação clara das fontes desse conhecimento, internas e externas
- onde ele é criado, onde está armazenado;
-
criação de uma política para
distribuição de conhecimento - quem precisa saber o que, quando e quais os
níveis de segurança requeridos;
-
adoção de uma sólida metodologia
para o gerenciamento do projeto de KM na organização;
-
avaliação cuidadosa das
implicações em termos de recursos tecnológicos: hardware, telecomunicações,
software, necessidade de construção de interfaces, sempre alinhando KM à
arquitetura de TI em vigor, e,
finalmente,
-
atenção para a importância do treinamento e da "venda" do
projeto aos envolvidos.
TI é obviamente o que
viabiliza KM. Sistemas ERP e data warehouses são fonte de grandes volumes de dados acerca
das operações de uma empresa; a Internet, torna disponíveis outros grandes
volumes acerca do ambiente na qual a organização está inserida. Nesse ambiente,
estão surgindo as aplicações KM, que pretendem integrar as informações provenientes dessas fontes, e distribuir conhecimento à audiência-alvo, utilizando para isso
tecnologia sofisticada de pesquisa em bancos de dados, debaixo quase empre de uma arquitetura cliente-servidor.
Até o momento não há registro
de uma única e total solução tecnológica para KM, acreditando-se que, ao menos
por algum tempo, para cada um de seus
aspectos determinadas ferramentas estarão sendo utilizadas, como por exemplo:
para identificação, ferramentas de reengenharia; para captura e organização,
bancos de dados (obviamente), search
engines, datawarehousing,
ferramentas de workflow; para
distribuição intranets, etc. Estando a tecnologia ERP cada vez mais
popular, e por estas conterem a maior parte das ferramentas acima mencionadas, fica claro que
KM e ERP deverão seguir muito próximos e talvez até mesmo se confundirem no
médio prazo (BRETERNITZ, 1999).
Mais um alerta: os valores a serem considerados quando do
desenvolvimento de grandes projetos de KM são muito grandes: em 1998 forma
investidos cerca de US$ 1,9 bilhões, cifra que deverá chegar a US$ 6,7 bilhões
em 2003 (WOODS, 1998). Em um mercado
desse tamanho, as pressões de fornecedores são muito grandes e a publicidade é
intensa, chegando-se muitas vezes a
situações em que dirigentes são levados
a ver KM como uma solução para todos os
males da organização; nesses casos, a chance de fracasso é grande; KM pode ser
muito útil, mas continua valendo a citação latina: Caveat emptor... O
comprador deve se cuidar !!!
Sintetizando: KM
não é mais um modismo. É bom senso. Vivemos tempos em que cada vez há mais
acesso à informação, que trabalhada torna-se conhecimento, e que por sua
vez representa um recurso que pode ser
o ativo mais importante de uma organização,. Uma estrutura deficiente de
conhecimento, assim como uma estrutura deficiente de capital, por exemplo, pode ser fatal. Como a capacidade de
inovar se tornando um dos maiores, se não o maior fator de competitividade, fica
quase impossível manter uma organização sem administrar bem seu conhecimento.
Aquelas que não entenderem isso,
estarão em breve vivendo tempos turbulentos.
Encerrando, deixa-se um tema
para reflexão, com base no trabalho de PFEFFER & SUTTON (2000): nunca houve
tanto conhecimento disponível; no entanto, as organizações muito raramente
adotam cursos de ação compatíveis com essa disponibilidade. Por que isso
ocorreria? A resposta a essa pergunta certamente tornaria ainda mais importante
o estudo de KM.
Referências
Bibliográficas
BRETERNITZ,
Vivaldo José. Os Sistemas Integrados de Gestão "ERP-Enterprise Resource
Planning" e uma aplicação em Instituição Financeira. Dissertação de
Mestrado. São Paulo: Universidade Mackenzie, 1999.
DAVENPORT, Thomas H; PRUSAK, Laurence. Working Knowledge: How Organizations Manage What They Know. Boston:
Harvard Business School Press, 1997.
KOULOPOULOS, Thomas. Knowledge
Management; Toward creating the "knowing enterprise". http://www.it-consultancy.com/extern/delphi/index.html, em 14/09/2000.
PFEFFER, Jeffrey; SUTTON, Robert I. The Knowing-Doing Gap: How Smart Companies Turn
Knowledge into Action.
Boston: Harvard Business School Press, 2000.
WOODS, Eric;
SHEINA, Madan. Knowledge Management:
Applications, Markets and Technologies. Londres: Ovum’s IT
Analysis Group, 1998.
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