Sistemas de informações geográficas. Uma Visão para administrado
Este artigo pretende apresentar uma visão geral dos Sistemas de Informações Geográficas - SIG, visão essa voltada aos Administradores e profissionais de Tecnologia da Informação que estejam cogitando aplicar essa tecnologia em suas organizações. A observa
Agregado: 22 de SEPTIEMBRE de 2001 (Por Vivaldo José Breternitz) | Palabras: 6030 | Votar! | Sin Votos |
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SISTEMAS DE INFORMAÇÕES
GEOGRÁFICAS: UMA VISÃO PARA ADMINISTRADORES E PROFISSIONAIS DE TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO
Artigo
BRETERNITZ, Vivaldo José, Mestre em Engenharia Elétrica, Gerente Geral
da Banespa SA Corretora de Câmbio e Títulos, Rua Profa. Joceny Vilela Curado,
73 – Jundiaí/SP, vjbreternitz@yahoo.com
SISTEMAS DE INFORMAÇÕES
GEOGRÁFICAS: UMA VISÃO PARA ADMINISTRADORES E PROFISSIONAIS DE TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO
Vivaldo
José Breternitz*
RESUMO
Este artigo
pretende apresentar uma visão geral dos Sistemas de Informações Geográficas
- SIG, visão essa voltada aos Administradores e profissionais de Tecnologia
da Informação que estejam cogitando aplicar essa tecnologia em suas organizações.
A observar que esses sistemas são usualmente chamados GIS, de Geographic
Information Systems.
PALAVRAS-CHAVE:
Sistemas
de Informações Geográficas, SIG, geoprocessamento, raster, vetor
ABSTRACT
This article intends to present an overview of the GIS -
Geographic Information Systems, to the Management and Information Technology
professionals who are planning to apply this technology to their organizations.
KEY WORDS: Geographic Information Systems, GIS, geoprocessing, raster,
vector
* Mestre em Engenharia pela
Universidade Mackenzie; professor das Faculdades Padre Anchieta e Gerente Geral
da Banespa SA Corretora de Câmbio e Títulos (vjbreternitz@yahoo.com).
INTRODUÇÃO
Sendo uma tecnologia em franco processo de desenvolvimento, fica difícil
chegar a uma definição de SIG que satisfaça aos envolvidos com seu desenvolvimento,
com seu uso e até mesmo àqueles que fazem seu marketing - há inclusive os que
chegam a considerar SIG como uma ciência, e não como uma ferramenta (GOODCHILD,
1997). Tem sido observado que muitas definições de SIG são claramente forçadas
pelos interessados em ganhar mercado para seus produtos.
Adicionalmente,
SIG têm uma gama muito grande de aplicações, havendo inclusive sistemas que,
com freqüência, usam as mesmas ferramentas de SIG, mas aplicando-as em situações
muito diferentes. Cada um destes grupos de usuários também apoia sua própria
definição de SIG. Diante deste cenário, selecionamos as definições seguintes,
que julgamos serem válidas dependendo do contexto em que são enunciadas, tentando
assim mostrar as várias faces dos SIG:
- "Qualquer
conjunto de procedimentos manuais ou baseados em computador destinados a armazenar
e manipular dados referenciados geograficamente" (ARONOFF, 1989);
- "Um caso
especial de sistema de informação, em que o banco de dados é formado por características,
atividades ou eventos distribuídos espacialmente" (DUEKER, 1979);
- "Um poderoso
conjunto de ferramentas para coleta, armazenagem, recuperação e exibição de
dados do mundo real para determinados propósitos” (BURROUGH, 1986);
- "Um sistema
de apoio à decisão que envolve a integração de dados espacialmente referenciados,
em um ambiente para resolução de problemas” (COWEN, 1988);
- "Uma
tecnologia de informação que armazena, analisa e exibe dados espaciais ou não
- SIG é de fato uma tecnologia e necessariamente não é limitada a um simples
e bem definido sistema de computador" (PARKER, 1988);
- "Uma
entidade institucional, refletindo uma estrutura organizacional que integra
tecnologia com um banco de dados, expertise e continuado apoio financeiro"
(CARTER, 1994);
- “Um sistema
de informações baseado em computador que permite a captura, modelagem, manipulação,
recuperação, análise e apresentação de dados georreferenciados" (WORBOIS,
1995).
Apesar desta variedade de definições, CLARKE (1986) define uma série de
características comuns e componentes que podem ser usados para dar aos SIG uma
definição funcional, a saber:
- um grupo de
dados que são associados a propriedades espaciais;
- uma topologia,
ou seja, uma expressão numérica ou lógica das relações entre estes dados;
- arquivos ou
estruturas de dados comuns;
- a habilidade
do sistema para executar as funções de coleta, armazenamento, recuperação, análise
(manipulação) e geração automática de mapas.
Adicionalmente,
é importante considerar SIG dentro do contexto de ser:
- um jogo poderoso
de ferramentas;
- um sistema
apoiado por computador;
- um sistema
de apoio à decisão, e
- uma tecnologia de informação.
Isto conduz
à visão de que SIG tem cinco componentes básicos:
- Hardware
- o computador no qual o SIG é processado e seus periféricos. O desenvolvimento
rápido do hardware de computador levou SIG do domínio do perito em computadores
que usava um mainframe, para os desktop, onde o usuário final
pode sozinho utilizar a tecnologia;
- Software
- em contraste com o de hardware, o desenvolvimento de software tem sido lento
e caro. Interfaces de usuário ainda são relativamente primitivas, há dificuldades
de conexão com outros tipos de software, etc.
- Dados - a representação computadorizada do mundo real. Os dados, em especial
sua coleta, são o fator mais caro e que mais tempo consome para a implementação
de um SIG. Normalmente estão disponíveis em áreas governamentais, não havendo
políticas consistentes de disponibilização dos mesmos.
- Método - que é a forma, o conjunto de práticas, pela qual uma determinada
organização opera seu SIG; evidentemente, o mesmo deve estar conectado aos demais
processos da organização para utilização plena de seus recursos - pode-se dizer
que cada uma tem um método prático e único - cabe alertar para as falhas que
todos sabem ocorrer quando simplesmente se transplantam modelos de uma organização
para outra.
- Pessoal - um software SIG é basicamente um jogo de ferramentas; apenas
a qualificação das pessoas que usam o sistema realmente pode fazer com que ele
trabalhe adequadamente para uma organização. Ë difícil obter, treinar e manter
pessoal qualificado, o que faz com que muitos considerem esse o ponto mais delicado
para a implantação de um SIG com sucesso.
Diz-se freqüentemente
que a relação de custo de hardware para software para dados num SIG é da ordem
de 1:10:100. É com freqüente surpresa que aqueles que iniciam sua aproximação
com a tecnologia de SIG tomam conhecimento desta realidade.
POR QUE OS SIG SÃO IMPORTANTES?
Um SIG integra dados espaciais e de outros tipos num único sistema. Isso
permite combinar dados de uma variedade de diferentes fontes e tipos, provenientes
de muitos bancos de dados diferentes. O processo de converter mapas e outros
tipos de informações espaciais numa forma digital, via SIG, torna possíveis
métodos novos e inovadores para a manipulação e exibição de dados geográficos.
SIG faz conexões entre diferentes atividades, baseado em sua proximidade
geográfica - estas conexões freqüentemente não poderiam ser feitas sem SIG,
mas podem ser vitais para o entendimento e gerenciamento de diferentes atividades
e recursos - por exemplo, cruzando registros sobre despejo de resíduos tóxicos
e escolas.
ABLER (1988) apresenta visões muito especiais acerca do significado de SIG,
pois diz que "SIG é para a análise geográfica o que o microscópio, o telescópio
e os computadores foram para outras ciências... ele pode ser a solução que
ajudará a dissolver as dicotomias regional-sistemáticas e humano-físicas que
tem assolado a geografia e outras disciplinas que usam informação espacial".
Apesar de esta ser uma visão interessante, não há nenhuma dúvida que o desenvolvimento
de SIG oferece outros benefícios como:
- aumenta nosso
conhecimento acerca dos recursos disponíveis numa dada área geográfica;
- facilita a formulação a avaliação de diferentes estratégias alternativas,
respondendo a questões do tipo "what if" relativas a políticas,
análises e distribuição de recursos;
- reduz o tempo
gasto para preparação de relatórios, gráficos e mapas, o que melhora a eficácia
da informação geográfica usada em análise de políticas e avaliação de opções
de planejamento;
- melhora o
planejamento de futuras pesquisas, por disponibilizar os dados já existentes
e estabelecer linhas mestras para coleta, armazenagem e processamento dos novos
dados a serem capturados;
- melhora o tempo de resposta aos pedidos de informações gerados
por gerentes e planejadores, por tornar as informações mais acessíveis;
- produz novas
informações pela sua capacidade de manipular dados anteriormente disponíveis,
graças à capacidade de manipulação de dados via computador;
- facilita o
desenvolvimento de modelos dinâmicos para apoio ao planejamento, e
- permite uma
utilização mais adequada dos recursos humanos disponíveis para coleta e análise
de dados - já se viu que os custos desses recursos são altos - pela eliminação
de redundâncias e sobreposições de dados e esforços.
EVOLUÇÃO HISTÓRICA
O conceito de retratar camadas diferentes de dados em uma série de mapas
e depois tentar relaciona-los por sobreposição, é muito mais antigo que os computadores.
Mapas da batalha de Yorktown, da Revolução Americana, desenhados pelo cartógrafo
francês Louis-Alexandre Berthier, mostravam movimentos de tropas através desse
recurso. Em meados do século XIX, o "Atlas to Accompany the Second Report
of the Irish Railway Commissioners" mostrava dados acerca de população,
fluxo de tráfico, geologia e topografia sobrepostos no mesmo mapa básico - era
já uma utilização empresarial e não militar do instrumento.
O Dr. John Snow
usou um mapa que mostrava as localizações dos casos de morte por cólera no centro
de Londres em setembro de 1854, conseguindo localizar um poço contaminado que
iniciou um surto da doença; este foi um dos primeiros casos de utilização de
análise geográfica (a título de curiosidade, para impedir que o mesmo continuasse
a ser usado, o Dr. Snow retirou a haste da bomba do dito poço...).
Apesar desses exemplos remotos do uso de Sistemas de Informação Geográficas,
o verdadeiro início dos SIG como hoje são concebidos, deu-se no início dos
anos 60.
SIG NA ATUALIDADE
A cronologia
do desenvolvimento dos atuais SIG é balizada por vários fatores que geraram
uma mudança na forma de pensar e atuar dos geógrafos. Dentre esses fatores,
podemos destacar:
- avanços na
tecnologia de computador;
- aumento da consciência social, com a sociedade exigindo seus direitos
de maneira mais incisiva;
- exigências
de integração das informações sobre transportes, rotas, destinos, origens, tempos;
- ativação dos estudos integrados na Universidade de Washington acerca
de métodos estatísticos avançados, programação de computadores e cartografia
por computador (1958-61).
Estudos de alguns
pesquisadores também foram importantes, principalmente por terem desenvolvido
ferramentas de base para criação de SIG; dentre esses podemos destacar:
- Nystuen: conceitos
fundamentais de espaço - distância, orientação, conectividade;
- Tobler: algoritmos
para projeções de mapas e cartografia por computador;
- Bunge: geografia teórica, bases geométricas para geografia - pontos, linhas
e áreas.
Nesse período,
apesar da precariedade dos recursos disponíveis, começaram a ser desenvolvidas
algumas aplicações reais - essas teriam sido os primeiros SIG efetivamente postos
em operação, talvez antes mesmo que o termo fosse cunhado. Dentre essas podemos
destacar:
- planos integrados
de transportes desenvolvidos nos anos 50 e 60 em Detroit e Chicago;
- o Sistema
de Informações Geográficas do Canadá, iniciado em 1962, que processou os dados
coletados pelo Canada Land Inventory, cruzando mapas com diferentes "temas"
- o grupo que desenvolveu esse projeto disputa com outro, que desenvolveu estudos
na Northwestern University, a criação do termo "SIG";
- o projeto STORET (1964), do Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos,
que voltado ao suprimento de água potável e controle de poluição, unificou os
dados coletados por diferentes organizações, relativos à qualidade de água,
processos de tratamento etc.;
- o projeto
MIDAS (1964), do Serviço Florestal americano, que é considerado como o primeiro
SIG completo para administração de recursos naturais;
- o DIME, do
U.S. Bureau of the Census, também dos anos 60, desenvolvido para construir representações
digitais de ruas e zonas censitárias;
Do ponto de vista mais acadêmico, talvez a maior contribuição para os atuais
SIG tenha sido a dada por Harvard, onde Howard Fischer iniciou estudos para
desenvolvimento de um software de mapeamento para uso geral - lá foi
criado o "Harvard Laboratory for Computer Graphics and Spatial Analysis"
que influenciou fortemente o desenvolvimento dos SIG até o início dos anos 80.
Nesse período, software ali produzido foi amplamente utilizado para desenvolvimento
dos SIG pioneiros - sua importância ainda persiste, ainda que em menor escala,
e muitos dos atuais especialistas na área vieram desse ambiente.
Pode-se dizer que há duas grandes famílias de sistemas SIG: “vetor” e “raster”.
Além dos dispositivos compugráficos de entrada e saída utilizados nos SIG serem
classificados dessa forma (raster são aqueles em que as imagens são digitalizadas
ou exibidas como uma matriz de pixéis e vetor aqueles em que as imagens são
descritas através de elementos geométricos posicionados em um sistema de coordenadas
cartesianas (TORI,1995). Assim, nos SIG vetor as informações acerca de pontos,
linhas e polígonos, são codificadas e armazenadas como uma série de coordenadas
x e y. A localização de um ponto, pode ser dada como uma coordenada x,y; objetos
com características lineares (para fins de SIG), tais como estradas e rios,
podem ser armazenadas como uma seqüência de coordenadas x,y. Polígonos, como
territórios, áreas plantadas, etc., podem ser armazenados como um loop
de coordenadas. Armazenagem sob a forma de vetores, pode ser muito útil para
descrever modelos de características discretas, mas são menos indicados quando
se trata de modelos com características relativamente estáveis, como por exemplo
os tipos de solo numa dada área.
Já os modelos com características que mudam continuamente, são mais adequadamente
tratados via raster, que como se disse é um conjunto, um grid de
células, análogo a um mapa ou foto escaneada.
Dissemos anteriormente que foi nos anos sessenta que os atuais SIG começaram
a se assemelhar ao que temos hoje. Os da família raster se desenvolveram
mais rapidamente, principalmente por terem suas estruturas de dados semelhantes
às usadas para sensoriamento remoto, que àquela época já estava razoavelmente
desenvolvido. Adicionalmente, os algoritmos que deveriam processar os vetores
estavam apenas tendo seu desenvolvimento iniciado, além de serem muito ”pesados"
para processamento pelas CPU então disponíveis.
O mais conhecido SIG raster surgido desses trabalhos iniciais, foi
o MAP - Map Analysis Package, desenvolvido por Dana Tomlin; nessa mesma época,
Jack Dangermond, que trabalhou no laboratório de Harvard, iniciou o desenvolvimento
de um SIG vetor, que se tornou o Arc/Info, talvez o SIG mais utilizado em todo
mundo. No entanto, os SIG raster eram muito populares até meados dos anos 80,
quando foram lançados o Arc/Info e vários outros sistemas.
A década seguinte viu o desenvolvimento rápido de SIG vetor, em função do
rápido desenvolvimento dos computadores. O crescimento desses sistemas gerou
um declínio no desenvolvimento e uso dos SIG raster, que passaram a ser
vistos como soluções de segunda classe, principalmente por causa de sua pobre
resolução espacial e necessidade de grandes áreas para armazenamento de dados.
Nos anos 90, passou a se observar o renascimento dos SIG raster, por
terem os usuários percebido que cada família de SIG pode ser mais adequada numa
dada situação, podendo até serem complementares, o que está levando ao desenvolvimento
de sistemas integrados ou mistos.
Do ponto de
vista tecnológico, poderíamos classificar os modernos SIG em três grandes grupos,
a saber:
- Os CAD/cartográficos, sistemas herdeiros da tradição de Cartografia,
com limitado suporte de bancos de dados e com o paradigma típico de trabalho
sendo o mapa (chamado de "cobertura" ou de "plano de informação").
Foram desenvolvidos a partir do início da década de 80 para ambientes da família
VAX e, a partir de 1985, para sistemas PC/DOS, e utilizados principalmente em
projetos isolados, sem a preocupação de gerar arquivos digitais de dados. Esses
SIG podem ser caracterizados como sistemas orientados a projeto (project-oriented
GIS).
- O dos bancos
de dados geográficos. Concebidos para uso em ambiente cliente-servidor, acoplados
a gerenciadores de bancos de dados relacionais e com pacotes adicionais para
processamento de imagens, chegaram ao mercado no início da década de 90. Com
interfaces baseadas em janelas, este grupo também pode ser visto como voltado
ao suporte às organizações (enterprise-oriented GIS).
- Bibliotecas geográficas digitais ou centros de dados geográficos, produto
da evolução do segundo grupo. Estão começando a chegar ao mercado e caracterizam-se
pelo gerenciamento de grandes bases de dados geográficos, com acesso através
de redes locais e remotas, com interface via WWW (World Wide Web). Requerem
tecnologias como bancos de dados distribuídos e federativos permitindo interoperabilidade,
ou seja, o acesso às informações por deferentes SIGs. São sistemas orientados
para troca de informações entre organizações e cidadãos, acessando bases de
dados públicas (society-oriented GIS).
DISCIPLINAS ENVOLVIDAS
SIGs são verdadeiramente uma aventura multidisciplinar, recebendo contribuições
de inúmeras áreas para fixação de seus conceitos, e para o projeto, desenvolvimento,
implementação e uso de seus produtos. SIG representa uma convergência de campos
tecnológicos e disciplinas tradicionais. Dentre estas, as principais são:
- sensoriamento remoto e GPS: sensoriamento
remoto é a tecnologia que permite medir porções de terra utilizando sensores
e câmeras transportados por aviões e satélites; GPS (Global Positioning System)
são sistemas que dão, por triangulação com satélites, as exatas coordenadas
de um ponto. As imagens aéreas e do espaço são uma das fontes principais dos
dados geográficos; dados capturados e tratados por esses sistemas podem ser
fundidos com outras camadas de dados em um SIG (doravante a expressão "camada"
será utilizada no sentido de sobreposição de informações provenientes de diversos
"mapas" eletrônicos) - na literatura, essa fusão de camadas é chamada
usualmente overlay .
- fotogrametria:
técnica bastante antiga (basicamente fotografias aéreas), e que tende a ser
substituída pelo sensoriamento remoto, mas que ainda é a fonte de um grande
volume de dados sobre o terreno e uma das principais entradas num SIG;
- cartografia
convencional, outra grande, talvez a principal, fonte de dados de entrada num
SIG - esses dados obviamente são mostrados em mapas, o principal campo de estudo
dessa disciplina;
- estatística:
muitos modelos construídos usando SIG são de natureza estatística, o que implica
no uso de técnicas estatísticas para sua análise;
- pesquisa operacional:
muitas aplicações de SIG requerem o uso de técnicas de otimização para tomada
de decisões;
- e finalmente,
a Ciência da Computação, que através de muitas de suas áreas deu contribuição
vital aos SIG, principalmente no que se refere a :
- CAD, que provê recursos para entrada de dados
e sua posterior visualização, especialmente em 3D; os CAD, (Computer Aided Design),
são sistemas bastante utilizados para gerar saídas em forma de mapas ou plantas,
embora de limitada utilidade para trabalhos mais sofisticados na área dos SIG;
- compugrafia avançada, que fornece recursos de
hardware e software para manejo e apresentação gráficos;
- sistemas de gerenciamento de banco de dados (DBMS), que contribuem para
a representação de dados em forma digital, procedimentos para projeto de sistemas
e manejo de grandes volumes de dados, particularmente para recuperação e atualização
dos mesmos;
- inteligência artificial, que permite utilizar o computador como um especialista
para tomada de decisões, fazendo escolhas baseado nos dados disponíveis.
ÁREAS DE APLICAÇÃO
Os SIG tem aplicações numa enorme variedade de campos: Logística, Geologia,
Agricultura, Planejamento, Segurança Pública, Preservação de Recursos Naturais
e muitos outros. Em quase todos esses campos, há necessidade de ênfase na coleta,
integração e análise de dados espaciais, que naturalmente podem ser tratados
por um SIG, razão pela qual a tecnologia dos SIG pode ser considerada uma enabling
technology, no sentido que tem potencial de atender às necessidades supramencionadas.
PROCESSOS DE UM SIG
Operando em qualquer uma dessas áreas, pode-se dizer que um SIG de uso geral
executa cinco processos básicos, conforme se segue:
- Entrada de dados: antes que os dados possam ser utilizados por
um SIG, os mesmos devem ser convertidos para um formato digital adequado - esse
é o trabalho que usualmente consome mais tempo dentre os que se está analisando.
Em compugrafia, esse processo é chamado genericamente de digitalização - atualmente,
esse processo pode ser feito através de escaneamento, de forma bastante automática,
se bem que o uso de mesas digitalizadoras manuais ainda possa ser interessante
em determinadas situações. Durante o processo de entrada de dados, estes precisam
ter suas características identificadas (por exemplo, num mapa de rede elétrica,
tem-se que dizer ao sistema quais os postes, as torres, os transformadores,
etc.) - além disso, por mais desenvolvidos que sejam os scanners, às
vezes problemas prosaicos, como sujeira num mapa por exemplo, podem gerar conexões
entre duas linhas que em realidade não deveriam estar conectadas - essas informações,
precisam ser editadas ou removidas dos arquivos digitais que estão sendo criados,
conforme se pode ver no item abaixo. Atualmente, muitos bancos de dados geográficos
já estão organizados de forma compatível com os SIG, podendo ser obtidos junto
a vendors e carregados diretamente num SIG.
- Manipulação:
muitas vezes, os dados exigidos por um determinado SIG necessitam
ser manipulados de alguma forma para que se tornem compatíveis com o sistema
em uso ou aplicação em desenvolvimento. O exemplo mais típico dessa situação,
é o de informações disponíveis em diferentes escalas, que precisam ser trazidas
para uma base única. Outro exemplo poderia ser tornar compatíveis entre si informações
obtidas através de fotos de satélite com outras provenientes de mapas. No caso
das fotos de satélite, elas devem ser processadas e interpretadas por computador,
que normalmente as transformará num "mapa", que será transferido para
um SIG. A tecnologia disponível oferece várias ferramentas para esse trabalho,
bem como para "corte" de informações desnecessárias, geralmente obtidas
a partir de mapas e cuja manutenção e processamento apenas encareceria o processo.
- Gerenciamento de dados: no caso de pequenos projetos,
pode ser suficiente o armazenamento de dados simplesmente como um conjunto de
arquivos. No entanto, quando o volume de dados, o número de usuários e a complexidade
da aplicação aumentam, torna-se indispensável o uso de um Sistema Gerenciador
de Bancos de Dados (DBMS). Até o momento, os DBMS relacionais tem sido os mais
utilizados para essa finalidade, principalmente por sua flexibilidade - e por
que não dizer, por serem atualmente os mais utilizados em quase todas as áreas.
- Query e análise: tão
logo tenha-se um SIG funcionando, pode-se obter do mesmo respostas a questões
simples, como: quem é o dono de determinado terreno? Qual a distância entre
dois dados pontos? Onde se localiza o Distrito Industrial? - cada uma dessas
questões diretas, é chamada query. Podem também serem feitas questões
analíticas, que exigem cruzamento e análise de dados para serem respondidas,
tais como: "Exibir todas as áreas adequadas à construção de conjuntos
residenciais"; "Qual o tipo de solo dominante nos parques públicos
da cidade?"; "Se for aberta uma avenida entre dois dados pontos,
como ficará o tráfego na área?". Os modernos SIG não só são extremamente
ágeis para analisar dados geográficos e identificar padrões e tendências, como
também para processar questões do tipo "o que..., se..." (what
if). De suas ferramentas sofisticadas de análise, dois tipos se destacam:
as de "Análise de Proximidade", que buscam responder a questões do
tipo, "Quais lotes estão até a 50 metros dessa adutora? ; "Qual o
número de consumidores num raio de 11 quilômetros dessa loja?", etc.
Para responder a questões como estas, os SIG se utilizam de um processo
chamado buffering, que determina as relações de proximidade entre as
entidades consideradas. O segundo tipo, é o de "Análise por Overlay",
de que já falamos anteriormente. Em jargão de bancos de dados, um overlay
poderia ser chamado de spatial join, partindo de mapas separados
que gerariam um único em que seriam consolidadas as informações desejadas.
- Visualização: para grande número de aplicações geográficas, o
resultado de um processamento pode ser melhor visto e entendido se apresentado
através de um mapa ou gráfico, que tem sido por muito tempo quase que as únicas
ferramentas dos atuais usuários de SIG. No entanto, esses agora podem prover
um grande número de diferentes "saídas", quer fundido mapas e gráficos
em relatórios, quer os integrando a visões tridimensionais, imagens fotográficas,
multimídia, etc. De qualquer forma, a compugrafia abriu um grande leque de novas
ferramentas e oportunidades para esses usuários.
Neste ponto,
torna-se interessante apresentar duas famílias de ferramentas para SIG, de forma
a que se possa ter uma visão de como um sistema "real" se apresenta
e da diversidade de enfoques adotados.
O ARC INFO
A primeira família a ser apresentada é o ArcInfo, do Environmental Systems
Research Institute - para facilidade, serão referidos genericamente como "Arc"
e "ESRI". A razão pela qual escolheu-se o Arc foi sua imensa popularidade,
sendo talvez a mais conhecida família de ferramentas SIG hoje no mercado, com
mais de cem mil usuários, segundo o ESRI - apesar de tratar-se de um conjunto
de sistemas bastante complexo, é popular por ser bastante completo.
Arc, que começou a tomar sua forma atual nos anos 80 - na realidade em suas
origens era mais um sistema CAD (e vetorial) - é um sistema cliente-servidor,
processado sob Unix ou Windows NT (ainda resiste ao tempo uma versão DOS),
sendo implementado como um cliente do Spatial Database Engine (SDE ) - um
servidor voltado para dados espaciais, e tem a capacidade de integrar dados
provenientes das mais diversas fontes, como fotografias, documentos escaneados,
imagens de satélites, desenhos CAD, GPS, dados provenientes de outras fontes
e organizados sob as formas raster ou vetorial, e até mesmo, som e vídeo.
Em termos de linguagens, pode ser customizado para trabalhar com Visual Basic,
Power Builder, C++ e outros ambientes padrão de desenvolvimento.
O Arc incorpora ferramentas como o ArcTools, que permite acessar funções
de geoprocessamento através de uma interface visual - que embora não muito completa,
permite que iniciantes a utilizem com mais facilidade - essa interface também
torna mais produtivo o trabalho quando não se acessa funções mais sofisticadas
do sistema (enquanto operando na forma de comandos, o Arc tem comandos de sintaxe
do tipo "COMANDO parâmetro1 parâmetro2").
O módulo ArcPlot é o subsistema interativo cartográfico/topográfico do
Arc que tem como função principal gerar mapas. Possui uma grande biblioteca
de ícones e editores de ícones para personalização das saídas, que podem ser
em tela, impressas ou via plotter, além de digitais para integração com
outros sistemas e que permite análise e visualização de dados espaciais.
Há também o módulo ArcEdit, que tem como função principal editar os gráficos
(mapas) gerados e as bases de dados através de comandos como "move",
"copy", "add", "delete", "reshape"
e "update", que permitem "corrigir" pontos, linhas, superfícies
e anotações cartográficas. O módulo permite também transferir características
de uma base dados para outra.
Arc incorpora
também o Open Development Environment (ODE), que customiza o Arc utilizando
as linguagens acima mencionadas e a ARC Macro Language (AML), destinada a customizar
e automatizar as operações do sistema através da construção de menus.
Também deve ser mencionada a possibilidade de conexão ao SAP R/3, talvez
o mais conhecido software de gestão empresarial (ERP) ora disponível. Essa conexão,
já disponível para vários módulos do R/3, como por exemplo "Materials
Management", "Plant Maintenance", "Sales and Distribution"
e "Asset Management", talvez tenha sido a primeira entre sistemas
dessas espécies (ESRI, 2001), e pode abrir possibilidades inteiramente novas
para os SIG, incrementando ainda mais seu uso - é algo a que os profissionais
de ambos os campos devem ficar atentos.
O PROJETO IDRISI
Outra família de ferramentas é a Idrisi, desenvolvida pela Clark University
de Massachusetts, nos Estados Unidos (CARTWRIGHT, 1991). Essas ferramentas,
doravante genericamente chamadas Idrisi, são produzidas no âmbito do projeto
do mesmo nome, são pacotes raster voltados para ambiente PC/Windows (ainda
está disponível uma versão DOS), contando com mais de 20 mil usuários, o que
faz deles o SIG raster mais utilizado no mundo.
Uma das coisas mais interessantes acerca do projeto, é que o mesmo não visa
lucro, pois seus dirigentes dizem "acreditar na democratização da tecnologia,
e que ferramentas como os SIG não devem ser reservadas para aqueles que dispõem
de grandes recursos, mas sim, devem estar disponíveis àqueles que delas necessitam"
(IDRISI, 1998) - isso torna seus custos bastante acessíveis. Idrisi, apesar
disso, é um software de nível profissional, apresentando todas as características
comuns aos SIG: capacidades analíticas, de produção de mapas, GUI, etc. - também
estão "embutidos" no projeto, suporte ao usuário, treinamento, e,
evidentemente pesquisa, pois afinal, trata-se de um projeto da Universidade
- os recursos para o mesmo provem de várias fontes, entre as quais, as Nações
Unidas.
A título de curiosidade, Idrisi não é uma sigla, mas o nome de um geógrafo
e cartógrafo árabe que viveu no século XII, e cujos trabalhos foram fontes
de referência a navegantes e pesquisadores durante mais de 500 anos.
O CICLO DE VIDA DE UM SIG
Agora que já se tem uma visão de que é e de como funciona um SIG, e tendo
em vista o objetivo deste trabalho, que é o de mostrar SIG principalmente do
ponto de vista de um profissional de Administração ou Tecnologia da Informação
que pretende aplicar um desses sistemas em sua organização, é apropriado fazer-se
algumas considerações sobre o ciclo de vida de um desses sistemas - que não
é substancialmente diferente do de um sistema convencional.
- Planejando: como sempre deve acontecer quando se começa a usar
uma nova tecnologia, algumas cautelas são recomendadas. Planejamento é necessário;
consultores, fornecedores de tecnologia e usuários mais experientes devem ser
ouvidos. A fase de planejamento envolve a busca sistemática de informações acerca
dos usuários do sistema, de seus dados e de suas necessidades de informação.
Nesta fase, deve-se dar conhecimento dos custos e benefícios do SIG aos tomadores
de decisões, bem como incluir os usuários potenciais no processo de planejamento,
de forma a que eles recebam conhecimentos básicos acerca da tecnologia. Uma
vez que se tenha uma compreensão completa de necessidades de usuário, pode-se
iniciar a segunda fase, a de desenho do sistema.
- Desenhando:
a fase de desenho deve traduzir as necessidades do usuário em funcionalidades
do SIG. Essa fase não só inclui a escolha de hardware e software, mas também
o desenho do banco de dados, aqui considerados as escalas dos mapas envolvidos,
os sistemas de coordenadas e de projeções, e o início da construção do dicionário
de dados - o estabelecimento e manutenção de um dicionário de dados robusto
são essenciais a qualquer SIG. Nessa fase deve ser gerado um plano básico
de implementação, que sempre que possível deve ser incremental, para conferir
maior segurança ao processo de implementação - é altamente recomendável o desenvolvimento
de um protótipo ou projeto piloto, de forma a que a experiência adquirida possa
favorecer a implementação do sistema como um todo.
- Implementando:
durante a fase de implementação, além dos trabalhos normais de instalação
de software, que não são objeto deste trabalho, deve ser providenciado o treinamento
dos usuários, requisito chave para o sucesso do projeto - num SIG o treinamento
é mais importante que num sistema convencional. Não se trata apenas de treinamento
dos usuários dos produtos do sistema e daqueles que executarão tarefas acessórias,
como entrada de dados, por exemplo. Todos aqueles de uma forma ou outra envolvidos
com o projeto, mesmo que de forma indireta, deverão ser alertados sobre as mudanças
que o SIG introduzirá em seu trabalho. Informações adicionais acerca dessa
fase podem ser encontradas em BLINN (1992).
- Dando manutenção:
Finalmente, uma aplicação SIG deve ser mantida, não só em termos de programas
de computador como de integridade de dados e suporte aos usuários. Em alguns
casos, um SIG é projetado para satisfazer as necessidades de um projeto específico,
finito; em outros são sistemas para uso contínuo. Na primeira situação, concluído
o projeto, evidentemente a manutenção não será considerada; porém, lembrando
que num projeto SIG o custo dos dados é usualmente muito significante, deve-se
atentar para a possibilidade de os dados gerados para o projeto original poderem
ser úteis a outros projetos ou usuários. Nessas situações, um dicionário de
dados poderoso será vital para determinar a utilidade dos dados existentes para
outros usos. No caso de um sistema de uso permanente, a manutenção constante
servirá para que o mesmo continue a cumprir suas finalidades; essa manutenção
inclui atualização de hardware, software e das base de dados,
bem como a adição de dados novos e constante informação de todos os usuários.
CONCLUSÕES
Concluindo,
pode-se dizer que os SIG são uma ferramenta cuja utilização só tende a crescer,
tendo em vista principalmente o vasto campo de atividades em que intuitivamente
se pode perceber a aplicabilidade de uma ferramenta como esta, e que normalmente
pela pouca capacidade de investimento ou pouca familiaridade de nossos profissionais
com a ferramenta, ainda não são atendidas.
Falar de sistemas
de informação geográfica numa ótica empresarial é entrar num terreno ainda por
desbravar, pelo menos na prática e no Brasil. Mas o potencial é tão grande que
qualquer negligência nesta área pode custar caro em termos de competitividade
no futuro.
Novas variáveis,
como a Internet, por exemplo, abrem caminho para novas aplicações - os SIG de
terceira geração, de que se falou acima, são um exemplo do que pode vir à frente.
Atualmente, com software colocado à disposição por fornecedores e bases de dados
públicas, já se pode obter muitas informações úteis, o que era impensável até
há bem pouco tempo.
Numa altura em que as empresas têm que otimizar todas as variáveis, os SIG
surgem como um elemento de apoio à decisão que começa a ser imprescindível para
o sucesso dos negócios. Os datawarehouses estão se popularizando, as
ferramentas de data mining seguem-lhes os passos e as ferramentas de
apoio à decisão são cada vez mais populares. Porque não se começa a pensar agora
no tratamento via SIG de muitos destes dados?
Lembrando o caso clássico, deve ser interessante para uma empresa comercial
saber que os homens com família que vão fazer compras no sábado compram habitualmente
fraldas para os filhos e cerveja (relação entre dados), pelo que suas lojas
(pequenas ou grandes) poderão colocar os dois tipos de produtos juntos para
a venda de um puxar a do outro, ou efetuar promoções com o objetivo de aumentar
as vendas. Mas com certeza este comportamento não será igual em todo o país,
nem para todos os extratos da população, nem para todas as lojas. Como tal,
o tratamento desses dados por SIG acrescenta um elemento novo, mais concreto,
e que permite levar a tomada de decisão a níveis mais seguros. E se falarmos
de temas como o impacto ambiental, a gestão de frotas, de redes de fluidos e
outras utilidades, etc., então a referenciação geográfica é ainda muito mais
importante, ou mesmo imprescindível, para um bom planejamento.
Não se trata de sugerir que os SIGs sejam agora a solução milagrosa, a
silver bullet que tantas outras tecnologias já prometeram. Antes pelo
contrário. As organizações que "têm os pés na terra", sabem que os
milagres só acontecem depois de muito trabalho. Com os SIG acontece o mesmo.
Eles são meras ferramentas - cabe às organizações tirar deles aquilo que eles
lhes podem dar.
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